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SURVIVAL INTERNATIONAL(Colômbia): 31/08/2011

Campanha anti extinção para proteger  35 povos indígenas da Colômbia

Nukák/SURVIVALMãe e filho Nukák, Cano Chua, Colômbia.
© David Hill/Survival

A Organização das Nações Unidas-ONU lançou uma campanha para proteger a 35 povos indígenas da Colômbia diante da possibilidade de sua  extinção. A Survival International trabalha estreitamente com um destes povos, os Nukaks, caçadores-coletores nômades que vivem no noroeste da Bacia Amazônica.
 A campanha é uma resposta ao conjunto de ameaças que podem acabar com estes indígenas. Entre elas se encontram o deslocamento forçado, os desaparecimentos, os massacres, as minas terrestres e o recrutamento forçado de jovens por grupos armados.

Já em 2010 um artigo da ONU advertia que " se mantém o risco de extinção física ou culturais  e em alguns casos o risco aumentou". Entre as comunidades indígenas assinaladas  como criticamente ameaçadas se encontravam os Nukak-Maku, os Guayaberos, os Hitnus e os Sicuanis.

A organização nacional indígena da Colômbia, a  ONIC, também assegura que 60 indígenas foram assassinados nos últimos 8 meses. Frequentemente se atribui a culpa de grande parte dos crimes na Colômbia aos grupos guerrilheiros, como as FARC, porém as averiguações da ONIC vinculam forças paramilitares e estatais à maioria das mortes.

Com esta campanha, a ONU espera chamar a atenção sobre os povos indígenas mais vulneráveis da Colômbia, e seu desejo de que as pessoas "se identifiquem e se solidarizem com eles , a fim de apoiar ações que promovam a proteção destas comunidades" , , reforçado pelo título da campanha: "Se eles desaparecem, uma parte de ti desaparece".

Um olhar sobre a história recente dos Nukáks mostra quão importante é a campanha da ONU, em tempo de desenvolver  entre a opinião pública uma compreensão da situação dos povos indígenas e dos perigos que enfrentam. 
A guerra civil na Colômbia expulsou muitos Nukaks de suas habitações tradicionais e os empurrou às periferias das cidades, onde vivem em condições extremamente difíceis.

A  interação com forâneos tem sido fatal. Desde que ocorreu o primeiro contato, em 1988, mais da metade dos Nukák morreram de doenças comuns. Agora, estes indígenas que já foram caçadores-coletores livres, padecem com doenças e depressões constantes, confrontados diante de um futuro incerto.

O diretor da Survival International, Stephen Corry,declarou hoje: "A campanha das Nacões Unidas reconhece, com razão, que a extinção de um povo indígena não é tão somente uma tragédia para aqueles diretamente implicados, mas  também uma perda irreversível para toda a Humanidade".


Para saber mais, visite a página: www.mipresente.org (em espanhol)


Notícia (em espanhol) em : http://www.survival.es/noticias/7647

 

 

 

G1-Globo.com:30/08/2011

Índios denunciam invasão de madeireiros peruanos no Acre

Ashaninka do Amônia-APIWTXAAshaninka do Amônia, 2008- Foto Divulgação APIWTXA

Índios da tribo ashaninka, em Marechal Thaumaturgo (AC), na região de fronteira entre Brasil e Peru, denunciaram, nesta terça-feira (30), a invasão de madeireiros peruanos em terrras indígenas brasileiras.
Segundo Isaac Piyanko, diretor da Associação Ashaninka do Rio Amonia, foram descobertas duas clareiras de exploração de madeira em área onde vivem cerca de 500 índios da tribo brasileira. "Hoje [terça-feira (30)] seguiu uma equipe com 15 índios armados para o local. O objetivo é impedir que sejam retiradas árvores da região."
Piyanko informou ao G1 que o problema de exploração ilegal de madeira na região acontece desde 2001. "É um problema que acontece faz tempo. Os madereiros peruanos agem de maneira cíclica. Eles tiram a madeira e somem por algum tempo. Foi assim em 2001, depois em 2006 e 2007, voltaram em 2009 e agora estão retirando madeira novamente."
Piyanko informou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) costumava fazer vistorias na região de helicóptero,mas que não tem feito a varredura aérea há algum tempo. "Quando a Funai deixa de fazer essas vistorias, que deveriam ser feitas a cada 20 dias, os madeireiros voltam a atuar", disse o diretor indígena. A Funai foi procurada para comentar a denúncia, mas não se pronunciou até as 16h40. A Polícia Federal também foi procurada para falar sobre o caso, mas não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
A Força Nacional, que participa com a PF da Operação Xinane, em Feijó (AC), disse que age de maneira pontual e específica e que não tinha recebido pedido das autoridades competentes para se deslocar até Marechal Thaumaturgo.
A Secretaria dos Povos Indígenas do Acre informou, por meio da assessoria de imprensa, que os cuidados com a região indígena é atribuição federal e que não tinha sido informada sobre as denúncias de exploração feita por madeireiros peruanos, de acordo com a denúncia feita pelos índios nesta terça-feira.
Apesar disso, o órgão informou estar ciente de que a exploração ilegal de madeira na região de fronteiriça é antiga e ocorre desde 2001/2003, quando houve concessões de exploração de madeira no Peru. Ainda de acordo com a secretaria, a exploração deveria ser legal e consciente.


Denúncia via blog
A Associação Apiwtxa da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia divulgou a denúncia de exploração de madeireiros peruanos em terras brasileiras no blog da entidade, na tarde desta terça-feira. No documento, eles informaram que um grupo de índios peruanos e brasileiros foi ao local das clareias feitas pelos madeireiros para coibir a exploração ilegal.

Glauco Araújo; notícia em http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/08


Acesse a página do APIWTXA (Associação do Povo Ashaninka do rio Amônia)  em http://apiwtxa.blogspot.com/

 

 

 

 

Padre Bombieri Blog: 30/08/11

Índia Canela assassinada brutalmente a pauladas

Na madrugada do dia 26 (sexta-feira), por volta de 2h, a senhora indígena do Povo Canela Ramkokamekrá Conceição Krion Canela, de 51 anos foi encontrada morta a pauladas. A atrocidade aconteceu no Povoado Escondido, interior de Barra do Corda. As investigações policiais apontam para dois suspeitos não indígenas, e já foi solicitada a prisão preventiva dos mesmos. A indígena não residia na aldeia Ponto, mas no povoado aonde ocorreu o homicídio. Era casada com um não indígena. Ambos costumavam usar bebida alcoólica. Conceição fora violentada sexualmente, e a morte fora causada porque ela reagiu ao estupro. A esposa de um dos suspeitos prestou depoimento na delegacia de Barra do Corda, confirmando que seu marido chegou em casa com a roupa suja de sangue. O Povo Kanela Ramkokamekrá está bastante abalado com tamanha atrocidade. Quinze deles se encontram em Barra do Corda acompanhando as investigações e clamam por justiça. O Padre Ezio Borsani, da Paróquia Santa Gianna Beretta está dando assistência aos indígenas, e abrindo possibilidades para que eles tenham voz nos canais de comunicação da imprensa local. Em conversa com o delegado que acompanha as investigações, este assegurou ao padre que os homicidas não ficarão impunes. Esta é mais uma das faces da violência sofrida pelos povos indígenas na região, além do preconceito, da discriminação e da violação de seus territórios.

(Fonte:Pastoral Indigenista da Diocese de Grajaú)

Notícia no blog do padre Claudio Bombieri: http://padrebombieri.blogspot.com

 

 

 

 

O DIA/Terra: 30/08/11

Índia brasileira pode ser a mulher mais velha do mundo

Kaxinawá-INSS/SurvivalCom quase 121 anos, índia brasileira pode ser a mulher mais velha do mundo | Foto:INSS/Survival

Manaus - Um ONG internacional localizou uma índia brasileira que pode ser a pessoa mais velha do mundo. Maria Lucimar Pereira, que vai completar 121 anos, pertence à tribo Kaxinawá e vive na Amazônia. Ela diz que vai passar seu aniversário, no próximo dia 3 de setembro, com sua família.

Maria nunca viveu em uma cidade e diz que sua longevidade deve-se a um estilo de vida saudável. Ela só come alimentos naturais da floresta: carne grelhada, peixe, mandioca e mingau de banana. Ela não come sal, açúcar ou qualquer alimento industrializado.

O diretor da ONG Survival, Stephen Corry, diz que isso deve ter contribuído para seus quase 121 anos de vida. "Muitas vezes nós testemunhamos os efeitos negativos que uma mudança forçada pode ter sobre os povos indígenas. É gratificante ver uma comunidade que mantém fortes laços com seus ancestrais e apreciando os benefícios inegáveis deste estilo de vida".

Apesar de ter quase 121 anos de idade, Maria permanece saudável e relativamente ativa. A líder comunitária local disse ao representante da ONG que a índia partilha suas histórias com o restante da tribo, além de visitar os netos em áreas vizinhas. Ela só fala Kaxinawá (dialeto da tribo), e, ocasionalmente, viaja para a cidade mais próxima, Feijó.

Sua certidão de nascimento foi feita em 1985, mostrando que ela nasceu em 1890. Mas a velhice não parece ser um fato incomum em sua tribo. O representante da ONG diz que dos 80 habitantes que vivem no local atualmente, quatro possuem mais de 90 anos. Eles comem alimentos naturais, e não usam sabão ou qualquer produto artificial da cidade.
Por enquanto, o Guinness Book, o livro dos recordes, não considera Maria Lucimar a como a mulher mais velha. O posto ainda pertence à americana Besse Cooper, que tem 115 anos.

A longevidade de Maria Lucimar ainda não foi registrada pelo Guinness World Records, que afirma que a mulher mais idosa do mundo é a americana Besse Cooper, de 115 anos. De acordo com o livro, a pessoa que comprovadamente viveu mais até hoje foi a francesa Jeanne Louise Calment, que morreu em 1997, aos 122 anos.

Notícia em http://odia.terra.com.br/portal/brasil/html/2011/8/

Leia a notícia na página da Survival International (em espanhol) em: http://www.survival.es/noticias/7643

 

 

 

 

Agência Brasil: 29/08/2011

Morales se dispõe a receber líderes indígenas para evitar nova marcha de protesto

Brasília – Depois de enviar dez dos 20 ministros bolivianos para negociar diretamente com líderes indígenas, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou hoje (29) que se dispõe a conversar pessoalmente com essas lideranças para buscar um acordo que evite mais uma marcha de protesto contra o governo.
Representantes de 64 comunidades indígenas exigem uma série de ações do governo, como a suspensão das obras de uma estrada ligando os departamentos de Cochabamba e La Paz. Também querem mais investimentos nas áreas de saúde e educação indígenas.
"O presidente está pronto para recebê-los aqui, no palácio [do governo]", assegurou o ministro das Obras Públicas, Walter Delgadillo. Segundo ele, Morales receberá os líderes indígenas e promoverá uma reunião na presença de vários ministros.
O líder da Confederação Indígena do Oriente da Bolívia, Adolfo Chávez, disse que a lista de reivindicações da comunidade é ampla. Os indígenas ameaçam retomar amanhã (30) uma marcha de protesto contra o governo, que foi organizada na semana passada nas principais cidades do país.
*Com informações da ABI, a agência pública de notícias da Bolívia

Renata Giraldi; notícia em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-29/

 

 

 

Agência Brasil – EBC: 25/08/2011

CPT denuncia assassinato de mais um trabalhador rural no Pará

Brasília - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou hoje (25) o assassinato de mais um líder comunitário no Pará. O crime ocorreu em Marabá, no sudeste do estado. A vítima, segundo a CPT, é o agricultor Valdemar Oliveira Barbosa, conhecido como Piauí. Ele foi morto a tiros na manhã de hoje quando andava de bicicleta.
Piauí era ligado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá. Durante anos, ele liderou um grupo de famílias que ocupava uma fazenda na região. Como o imóvel não foi desapropriado para reforma agrária, o grupo deixou a propriedade.
Piauí, segundo a CPT, voltou a morar na área urbana de Marabá e ajudou a organizar uma ocupação no bairro de Nova Marabá, onde morava.
Apesar de viver na cidade, o líder comunitário estava atualmente na coordenação de um grupo de famílias que ocupa uma fazenda em Jacundá, município próximo a Marabá. De acordo com a CPT, o dono da fazenda já havia contratado pistoleiros para impedir a ocupação das terras.
Para a CPT, há “fortes indícios de que o crime tenha motivação fundiária, disputa por terras”, como nos casos de outros cinco trabalhadores rurais assassinados no Pará desde maio.

Luana Lourenço; notícia em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-25/

 

 

 

Jornal Pequeno (S.Luís): 26/08/2011

Sede do Incra-MA é ocupada por quilombolas, sem-terras e índios

Aproximadamente 300 pessoas – entre quilombolas, lideranças indígenas e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) –, que estavam acampados em frente à sede do Tribunal de Justiça do Estado (centro de São Luís), agora ocupam a sede do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), no Anil. É a segunda vez neste ano que o órgão é ocupado. Em junho, quilombolas permaneceram no local até que fosse firmado um acordo com os governos federal e estadual.

Agora, os quilombolas – fortalecidos com a presença de líderes indígenas e dos sem-terra –, afirmam que o acordo não foi cumprido. Foi prometido aos quilombolas, entre outras providências, dar mais agilidade nos processos de regularização de terras e combate à violência no campo.
De acordo com o padre Inaldo Serejo, coordenador estadual da Comissão da Pastoral da Terra (CPT), uma comissão de lavradores se reuniu, na tarde de quinta-feira, na sede do Incra, com representantes do governo estadual e do próprio instituto.
Na reunião, teria sido informado aos quilombolas que não há condições para o cumprimento do acordo por falta de verbas. “Ao cobrarmos do superintendente do Incra no Maranhão, José Inácio Rodrigues Sodré, sobre a celeridade na conclusão dos processos, visitas técnicas e emissão de relatórios, ele foi taxativo em dizer que não há condições de cumprir o acordo porque infelizmente o órgão não tem orçamento para isso”, relatou.
A líder quilombola Maria Teresa Bitencourt, de 49 anos, do povoado Cruzeiro, em Palmeirândia, declarou que os representantes do governo do estado afirmaram que a pauta não foi devolvida depois que foi levada a Brasília pelas ministras e que não teria sido repassada verba federal para dar cumprimento ao acordo.
Ela ressaltou que o contato com as autoridades federais também foi cortado, e por isso fica difícil detectar de onde está partindo a omissão.
Representantes indígenas doas etnias Krikati, Guajajara e Krenyê também aderiram ao movimento. A índia Dária Krikati, de 36 anos, explicou que a população indígena também sofre com a precariedade nas áreas da saúde e educação, além das disputas de terras provocadas pela interferência dos não-indígenas.


Jully Camilo; notícia em http://www.jornalpequeno.com.br/2011/8/26/

 

 

 

 

Folha de São Paulo: 24/08/2011

Terremoto de 6,8 atinge norte do Peru na fronteira com o Brasil

ArtePress/FolhaEditoria de Arte/Folhapress

Um terremoto de magnitude 6,8 atingiu nesta quarta-feira a região norte do Peru, na fronteira com o Brasil. Até o momento, não há informação de vítimas ou danos graves de nenhum dos lados da fronteira.
http://f.i.uol.com.br/folha/multimidia/images/icn-audio-14x14.gifPiloto achou que aeroporto tinha desabado
http://f.i.uol.com.br/folha/multimidia/images/icn-audio-14x14.gifEnfermeira correu para a rua quando sentiu casa tremer
http://f.i.uol.com.br/folha/multimidia/images/icn-audio-14x14.gifEm Lima, tremor foi rápido, relata brasileira
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) registrou o tremor às 12h46 (14h46 em Brasília), com epicentro a 82 km de Pucallpa, no Peru, e 205 km de Cruzeiro do Sul, no Brasil.
O tremor foi registrado ainda a uma profundidade de 145,1 km --quanto maior a profundidade, menor as chances de danos significativos (o tremor de magnitude 5,8 que atingiu na véspera a costa leste dos EUA teve profundidade de apenas 6 km e foi sentido em vários Estados e até no Canadá).
O USGS utiliza uma medição baseada na escala aberta de Magnitude de Momento, que mede a área da falha que se rompeu e a totalidade de energia liberada. Nesta escala, um terremoto de magnitude 6 ou superior pode causar danos significativos em áreas populosas.
A cidade de Pucallpa fica a cerca de 600 km da capital peruana, Lima, e tem baixo índice demográfico.
Embora até o momento não tenham sido divulgadas informações sobre danos graves ou vítimas, as linhas de telefone na região estão fora de serviço, informa a agência de notícias Reuters.
"Já há relatos de casas destruídas e houve problemas com a comunicação telefônica", disse Guillermo Alvizuri, diretor de operações do Instituto Nacional de Defesa Civil peruana, a uma rádio local.

Ainda de acordo com a Reuters, testemunhas no lado brasileiro da fronteira, na cidade de Cruzeiro do Sul, também não indicaram ocorrência de ferimentos graves ou danos estruturais.
Nelson Liano, um jornalista brasileiro, disse que estava num supermercado na hora do tremor e que viu produtos caindo das prateleiras. "Parecia que eu estava num barco e ele estava batendo", disse.
O Peru é um dos líderes mundiais na exportação de minérios, e a região afetada não possui minas importantes. Os arredores de Pucallpa sediam instalações de produção de petróleo e um gasoduto passa pela área.

Notícia em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/964617

Mais: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/24/terremoto-no-peru-e-sentido-por-moradores-de-cinco-cidades-do-acre.jhtm

 

 

 

 

MXVPS Blog: 23/08/11

Três hidrelétricas ameaçam indígenas no rio Teles Pires

Telma Monteiro (Parte I)

No dia 19 de agosto o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) expediu a Licença de Instalação (LI) da hidrelétrica Teles Pires a ser construída no rio Teles Pires. Ela é uma das seis hidrelétricas inicialmente planejadas nesse rio. O mais curioso é que quatro delas estão sendo licenciadas pelo Ibama e outras três, Sinop, Colíder, Foz do Apiacás e Magessi (esta última já excluida do complexo), pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA).

No dia anterior, 18 de agosto, o Ibama havia publicado o aceite do EIA/RIMA da Usina Hidrelétrica (UHE) São Manoel, mais uma hidrelétrica também no rio Teles Pires. Os estudos ambientais do projeto da UHE São Manoel estão sendo analisados no Ibama, mas num processo independente da UHE Teles Pires. O outro projeto, UHE Foz do Apiacás (que será licenciado pelo estado do MT e não pelo Ibama), está planejado para ser construído na foz do rio Apiacás no Teles Pires bem ao lado da UHE São Manoel e exatamente na divisa da Terra Indígena Kayabi e Munduruku (ver mapa abaixo).


Em 2008 e 2009, foram realizados estudos preliminares das Terras Indígenas Kayabi e Munduruku, nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) das UHEs Foz do Apiacás e São Manoel, para atender os Termos de Referência da Sema de MT e do Ibama, respectivamente.

As UHEs São Manoel e Foz do Apiacás planejadas para o rio Teles Pires estão sendo licenciadas por dois órgãos diferentes - um federal, Ibama e um estadual Sema de MT, mas o Estudo do Componente Indígena (ECI) é único para as duas hidrelétricas. Mais grave ainda é que ambas estão na divisa com as TIs Kayabi e Munduruku.

Em julho de 2011, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram uma complementação ao ECI da UHE São Manoel, pedida pela Funai. No início deste ano a Funai havia emitido um parecer questionando a avaliação dos impactos dos dois empreendimentos sobre as comunidades indígenas, no ECI de agosto de 2010.

O ECI das UHE São Manoel e Foz do Apiacás tem como foco principal os impactos sobre as comunidades indígenas que estão nas áreas de influência dos projetos, em particular nas Terras Indígenas (TI) Kayabi e Munduruku. Três etnias diferentes vivem nessas terras: Apiaká, Kayabi e Munduruku.

Uma lida na complementação de 351 páginas mostra um relatório das relações históricas dos grupos indígenas do Baixo Teles Pires com o qual eles convivem por pelo menos dois séculos. Comprova também a vulnerabilidade desses grupos além de expor a importância das áreas protegidas, as Tis Munduruku, Kayabi e Sai-Cinza e as unidades de conservação, na garantia da integridade física e biótica dos recursos naturais. A revisão das matrizes de impactos serviu apenas para atender às solicitações da Funai, pois a decisão já tinha sido tomada.

Tudo não vai além da pura praxe. Esse é mais um estudo, como tantos outros apresentados nos processos de licenciamentos, que comprova que os povos indígenas sofrerão todos os impactos diretos. Eles serão as principais vítimas sem terem o mínimo conhecimento do tamanho da hecatombe que vai atingí-los, se o governo levar adiante a construção das três hidrelétricas.

Notícia em:http://xingu-vivo.blogspot.com/2011/08/tres-hidreletricas-ameacam-indigenas-no.html

 

 

 

 

O Eco: 22/08/2011

Segue tensão na fronteira Brasil-Peru

Base Xinane-FPEnvira/MCoelho/OECOVista aérea da base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, no igarapé Xinane - foto: Maria Emília Coelho

A situação continua tensa na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira, área de proteção de povos indígenas isolados no Acre, região de fronteira com o Peru. O lugar foi invadido no mês passado por peruanos armados ligados ao narcotráfico. Durante a semana passada, tiros foram ouvidos a menos de dois quilômetros da base. Rastros de isolados foram encontrados perto do local na segunda, dia 15 de agosto.

A equipe da Força Nacional chegou quinta-feira passada à base do igarapé Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), para substituir os seis homens do Batalhão de Operações Policiais Oficiais (Bope) do estado do Acre que estavam na base desde o dia 7 de agosto. Antes, uma equipe da Polícia Federal esteve presente na região para realizar uma operação que capturou Joaquim Fadista, narcotraficante português que atua no Peru.
 

O sertanista José Carlos Meirelles, que permanece na base do Xinane com os dois mateiros, Francisco de Assis (Chicão) e Francisco Alves de Castro (Marreta), enviou notícias por email: “São onze da noite e o tiro de fuzil aqui pra cima do rio Envira foi ouvido novamente. Penso mesmo que os peruanos vão botar roçado e morar por aqui. Ou seja, não têm a mínima intenção de ir embora. Afinal, ninguém os perturba”.

A ordem dada aos homens da Força Nacional é que a movimentação seja feita num raio máximo de 500 metros da base. “Nosso plano era bater uns igarapés para ver se los hermanos não estão escondidos. Mas ficou apenas no plano, a ordem é só fazer a segurança da base. Ninguém ainda se dispôs a bater realmente estas matas e desvendar o que estas pessoas, que continuam aqui, fazem e querem”, reclamou o sertanista, que coordenou a Frente Envira da Funai por 23 anos. Hoje, ele trabalha na Assessoria Indígena do governo do Acre.


Meirelles contou que viu rastros de isolados no igarapé Xinane há cerca de uma semana. “Fui com os mateiros pegar uns peixes e vi o rastro de dois índios subindo por dentro da água aqui perto da base. Eles não são bestas de andar na praia. Estão monitorando essa maluquice toda por aqui”. O sertanista também está preocupado com o “day after”. “Adivinha pra quem vai sobrar flecha?”.

Nenhuma instituição do governo peruano se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido até agora. O Instituto Nacional de Desenvolvimento dos Povos Andinos, Amazônicos e Afro Peruanos (INDEPA) pediu nesta semana para o órgão indigenista brasileiro informações mais detalhadas e georreferenciadas do local para se manifestar sobre a invasão no Acre.


Até o momento não existe nenhum plano de ação, em coordenação bilateral dos governos de Peru e Brasil, para a proteção dos isolados. Na pouco mais de uma semana a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizou em Brasília a primeira reunião do Projeto “Marco Estratégico para a elaboração de uma agenda regional de proteção dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial”.


Para Meirelles, os índios isolados da região são os verdadeiros donos desse pedaço de Amazônia e serão os que, mais uma vez, pagarão o maior preço pela invasão de suas terras: “O que realmente aconteceu com índios isolados, só os urubus sabem”.


Veja mais fotos na página do " Amazônia Blog", de O Eco. Saiba mais:

Indígenas isolados correm risco na fronteira com o Peru, por Nathália Clark
Movimentação mapeada de isolados, por Helena Ladeira e Maria Emília Coelho
Nova referência de isolados no Vale do Javari, por Nathália Clark

Maria Emília Coelho; notícia em http://www.oecoamazonia.com/br/blog/288-segue-tensao-na-fronteira-brasil-peru

 

Confira também carta pessoal do sertanista J.Meirelles divulgada no Blog da Amazônia, de Altino Machado: "Sertanista critica operações da PF e Força Nacional de Segurança na fronteira Brasil-Peru"

 

 

 

 

ISA-Instituto Socioambiental: 22/08/2011

Cumbre Amazônica reafirma papel de territórios indígenas como barreira à degradação ambiental

Reunidos em Manaus entre 15 e 18 de agosto, lideranças e organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica divulgaram ao final do encontro o documento intitulado Mandato de Manaus: Ação indígena pela vida.

"Comprovamos que a crise climática e ambiental, é gravíssima, em pouco tempo irreversível, enquanto os poderes globais e nacionais, não podem nem querem detê-la, e pior, pretendem ‘aproveitá-la com mais “negócios verdes” mesmo que ponham em perigo todas as formas de Vida", diz o documento logo no início. O Mandato de Manaus aponta ainda contradições entre as políticas relativas às florestas e as que promovem atividades de grande impacto ambiental como desmatamento, mineração e construção de hidrelétricas, entre outras. Para os povos indígenas é indispensável garantir a demarcação de seus territórios e sua titularidade coletiva. Leia aqui o documento na íntegra.

Notícia do ISA em: http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3392

 

 

 

Notícias BR: 22/08/11

Brasil e 16 países intensificam manifestações contra Usina de Belo Monte

Ato Mundial Contra Belomonte-MXVPSMovimento Xingu Vivo Para Sempre: atos públicos, "twittaço" e rede mundial (foto Xingu Vivo blogspot)

Terminaram na segunda-feira (22) os protestos contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. As manifestações começaram no sábado (20) em mais de quinze cidades em todo o Brasil e no seu último dia ainda houveram novos protestos em frente às embaixadas e consulados brasileiros em 20 cidades de 16 países que também são contra a construção da hidrelétrica. No sábado cerca de 1500 pessoas fizeram parte das manifestações no Pará e outras duas mil se reuniram na Avenida Paulista em São Paulo. No entanto, não se sabe quantas pessoas fizeram parte dos protestos, pois os números das demais cidades participantes ainda não foram contabilizados.
Em todo o mundo pessoas se reuniram para protestar contra a construção da hidrelétrica, na segunda-feira alguns países como Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Portugal, México, França, Holanda, Inglaterra, Escócia, País de Gales, Taiwan, Turquia e muitos outros fizeram manifestações contraria ao Belo Monte.
Nos Estados Unidos as manifestações aconteceram em Washington, e foi organizada pela ONG Amazon Watch e várias pessoas ser reuniram em frente à embaixada do Brasil, eles ainda aproveitaram para entregar uma carta com críticas aos representantes da embaixada na capital dos Estados Unidos e também pediram o fim da violência.
A ONG tem prevista ainda uma manifestação durante a Assembléia Geral da ONU, que acontece no próximo mês de setembro em Nova York e que terá a participação da presidente brasileira Dilma Rousseff. Eles alegam que mesmo o Brasil sendo o maior defensor da Amazônia, deve pensar quais serão as conseqüências da Hidrelétrica.

Notícia em: http://www.noticiasbr.com.br/

Acesse e Participe do movimento contra Belo Monte, na página eletrônica do Movimento Xingu Vivo Para Sempre - MXVPS:

http://xingu-vivo.blogspot.com/

 

 

 

 

Agência Acre.Gov.BR: 20/11/2011

Secretaria Nacional de Segurança Pública e Governo do Acre divulgam Nota sobre a proteção aos índios isolados na região do Alto Envira

A Secretaria Nacional de Segurança Pública e o Governo do Estado do Acre vêm a público esclarecer informações acerca das questões relativas à proteção dos índios isolados, na região do Alto Envira.

Desde que teve conhecimento da possível ameaça aos grupos isolados, o Governo do Estado do Acre tomou todas as devidas providências junto ao Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), ligado ao Ministério da Justiça.

A Polícia Federal coordenou a Operação Xinane para retomar a base e garantir a segurança dos funcionários da Funai e de grupos isolados. O Governo do Estado do Acre prestou total apoio logístico, por meio do helicóptero João Donato, e destacou um efetivo de homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope).

Em recente reunião em Rio Branco, com todos esses órgãos, inclusive, com a presença da secretária Nacional de Segurança, Regina Miki, e do presidente da Funai, Márcio Meira, ficou acordado o destacamento de um efetivo da Força Nacional de Segurança Pública, que se encontra na região até a chegada do Exército.

Portanto, todos os compromissos assumidos pelo Governo Federal com o Governo do Estado do Acre estão sendo rigorosamente cumpridos, e as notícias veiculadas com informações contrárias aos fatos relatados são infundadas e o Governo do Acre só tem a agradecer o Governo Federal pelo total apoio prestado até o momento na defesa dos índios isolados.

 
Ildor Reni Graebner  
Secretário de Estado de Segurança Pública
 
Regina Miki
Secretária Nacional de Segurança 

Nota publicada em: http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=16571&Itemid=26

 

 

 

 

Portal Angola (Angola): 20/08/2011

Traficantes armados a contas com a justiça

São Paulo - O grupo de traficantes armados avistados em território brasileiro desde julho provavelmente não pertencem à guerrilha peruana do Sendero Luminoso, disse o superintendente da Polícia Federal brasileira no estado do Acre, José Carlos Chalmers Calazane. 

A suspeita surgiu na sequência da detenção do traficante português Joaquim Fadista, nos arredores da base da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) no Alto Envira, perto da fronteira com o Peru. 
 
Ao ser detido, Fadista declarou que entrou em território brasileiro para acompanhar dois peruanos que pertenciam à organização. Posteriormente, no depoimento formal, disse que a informação se baseava numa "suposição" e que não conhecia os dois homens. 

O português disse às autoridades brasileiras que guiou os peruanos em troca de dinheiro, mas a polícia afirmou acreditar que ele possa ter relações com o tráfico de drogas, crime pelo qual já foi condenado pelo menos três vezes. 

Calazane acrescentou que, após as declarações de Fadista levantarem a suspeita, o adido da Polícia Federal brasileira (PF) em Lima consultou as autoridades peruanas, que informaram que não exitir registo da presença do Sendero Luminoso na zona de fronteira em que ocorreu a entrada. 

Ao contrário do que as autoridades brasileiras têm divulgado até ao momento, o superintendente da PF disse que não há confirmação de que os invasores sejam traficantes. "Podem ser narcotraficantes ou madeireiros", afirmou. 

O responsável elogiou a atuação da PF, mas evitou rebater as críticas do ex-coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental do Rio Envira José Carlos Meirelles, que continua no local. 

Em carta divulgada na Internet, Meirelles disse que as autoridades brasileiras estão a falhar nas buscas dos homens armados avistados por funcionários da FUNAI. 

Segundo o superintendente, 25 homens da corporação realizaram "uma acção pontual" na região, que durou uma semana e resultou na prisão do português.
 
"A Polícia Federal não pode ficar permanentemente naquele local, pois é uma polícia judiciária, que apura crimes após serem cometidos", disse o responsável. 
 
Segundo Calazane, forças ostensivas assumiram o patrulhamento da região após a saída da Polícia Federal. As Forças Armadas também serão deslocadas ao local.

Notícia em: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2011/7/33/

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL (PERU):18/08/11

Luz verde para um oleoduto amazônico entre suspeitas de “ocultação” da presença de índios isolados

Nantis/Peru/SURVIVALOs Nantis são um dos mais de 15 povos indígenas isolados do Peru.
© Survival

Um oleoduto de 200 km de extensão na Amazônia  recebeu luz verde, entre a polêmica pela suspeitas de “encobrimento” de provas da existência de indígenas isolados na área.
A empresa petrolífera francesa Perenco planeja investir 350 milhões de dólares na construção de um oleoduto no norte do Peru para transportar petróleo avaliado em 35.000 milhões de dólares; desde sua prospecção no Lote 67 até a costa do Pacífico.
No entanto, um detalhado artigo publicado na mídia americana Truth Out denuncia que tanto funcionários do governo como consultores ambientais e empresas petrolíferas estão envolvidos na ocultação da existência de povos indígenas não contatados que vivem na rota do oleoduto.
A Perenco refutou qualquer  insinuação de que seu trabalho possa por em perigo as vidas dos indígenas isolados.
A empresa cita repetidamente um informe da consultora ambiental Daimi que respalda sua afirmação de que “não há sinais de caráter antropológico (no Lote 67)”.
No entanto, o jornalista independente David Hill acessou os investigadores que trabalharam com Daimi na região. Hill afirma ter descoberto uma série de contradições que indicam que o informe, financiado pela Perenco, era inexato e foi censurado.

Numerosas provas, entre as quais se encontram testemunhos juramentados sobre avistamentos, trilhas, pegadas e lanças cruzadas, “não foram incluídas no informe final”.
Um engenheiro florestal que participou da  investigação afirmou: “Além de deixar de lado a importância do dano à vegetação e a vida silvestre, (Daimi) assegurou que não havia comunidades isoladas. Porém, haviam picadas, restos de habitações… A Perenco obteve tudo o que queria”.
O diretor da Survival International, Stephen Corry, declarou hoje: “O Governo peruano tem o dever de ordenar uma investigação independente sobre a existência destes indígenas, e não deveria deixar-se apaziguar por consultoras que trabalham para as empresas petroleiras”.

Notícia (em espanhol) em http://www.survival.es/noticias/7597

 

 

 

 

Instituto Socioambiental – ISA: 17/08/2011

Pesquisadores expressam preocupação com índios Awá-Guajá em carta à Dilma

Vinculados a ONGs e instituições científicas e de pesquisa nacionais e internacionais, eles manifestaram à Presidente da República profunda preocupação com os Awá, no Maranhão. As florestas de seus territórios estão sendo rapidamente destruídas, colocando em risco seus modos de vida e a própria sobrevivência.

Awá-Guajá/Watson/SURVIVALCaçadores Awá-Guajá -foto Fiona Watson/SURVIVAL

A carta enviada à Presidente Dilma Rousseff lembra que os Awá-Guajá são um dos únicos povos coletores-caçadores remanescentes no Brasil e que muitos deles só estabeleceram contato regular com não-indígenas nas décadas de 1970 e 1980, quando a Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou um plano de contato durante o Projeto Grande Carajás.
Pesquisadores e cientistas relatam ainda que cerca de 100 Awá permanecem isolados hoje, e são altamente vulneráveis. Vivem em pequenos grupos móveis, e estão sempre em fuga à medida em que grandes trechos de suas florestas são invadidas por madeireiros. Estão permanentemente ameaçados por doenças e possíveis confrontos violentos. Leia a carta na íntegra e uma cronologia que resume a história dos Awá-Guajá desde o contato com os brancos.

Por essas razões os signatários pedem providências urgentes para impedir que esse povo indígena seja extinto. Saiba mais sobre os Awá, também chamados de Guajá.

Notícia do ISA em: http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3388

 

 

 

 

Último Segundo -IG: 17/08/2011

Ministério Público pede paralisação imediata de Belo Monte

Argumento é de que obras de hidrelétrica afetam índios e a biodiversidade da região

Ministério Público Federal (MPF) no Pará ingressou nesta quarta-feira (17) com uma ação civil pública pedindo a paralisação imediata das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Na ação, os procuradores federais afirmam que durante a construção da usina haverá a remoção de povos indígenas o que, segundo eles, é inconstitucional. Eles também apontam a destruição de parte da biodiversidade em volta do rio Xingu.
Leia também: Ibama autoriza instalação da usina de Belo Monte
As obras em Belo Monte começaram em março deste ano e o consórcio responsável pelo empreendimento, a Norte Elergia, ainda está construindo o canteiro de obras da usina. Segundo os procuradores Felício Pontes Jr, Ubiratan Cazetta, Bruno Valente, Daniel Avelino, Bruno Gütschow e Cláudio Terre do Amaral, a usina viola “o direito da natureza”. Eles apontam que estudos técnicos indicam que haverá morte de grande parte da biodiversidade da região da Volta Grande do Xingu, uma área de influência do rio Xingu de 622 quilômetros quadrados.
“A Volta Grande Xingu é considerada de ‘importância biológica extremamente alta’ pelo Ministério do Meio Ambiente (Portaria MMA n° 9/2007). A causa para tanto é a singularidade. Há espécies de peixes, por exemplo, que somente podem ser encontradas nessa área”, destacam os procuradores.
Os Estudos de Impactos Ambientais (EIA) sobre Belo Monte apontam também que o enchimento do lago para a constituição da usina irá prejudicar os povos indígenas Arara e Juruna. Duas terras indígenas serão atingidas: Paquiçamba e Arara da Volta Grande Xingu. Esses povos indígenas vivem basicamente da caça e pesca de subsistência.
No processo judicial, os procuradores afirmam que não está provado, até o momento, interesse de soberania nacional do empreendimento. Na ação, o MPF também pede indenização para os povos indígenas Arara e Juruna e os ribeirinhos da Volta Grande do Xingu pelos impactos do empreendimento.
A Usina de Belo Monte é planejada para gerar até 11 mil MW de energia. O reservatório do lago da usina terá 516 quilômetros quadrados. A sua construção vem sendo discutida desde a década de 1970, mas apenas neste ano o consórcio responsável pelo empreendimento conseguiu as licenças de instalação para o canteiro de obras e para a construção da usina. A obra está orçada em R$ 25 bilhões.

Wilson Lima, Ig Maranhão; notícia em http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/pa/

Leia a notícia na página eletrônica do MPF, com a íntegra da Ação: http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_meio-ambiente-e-patrimonio-cultural/mpf-pede-paralisacao-das-obras-de-belo-monte-para-evitar-remocao-de-indios

 

 

 

NotíciasUOL/BBC Brasil: 17/08/2011

Governo quer fazer testes de HIV, hepatite e sífilis em todos os índios do país

O governo lança neste mês um programa destinado a realizar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C em todas as aldeias indígenas do Brasil.

A ação pretende examinar, até o fim de 2012, todos os índios brasileiros com mais de dez anos - idade média para o início da vida sexual no grupo - e encaminhar para o tratamento os que obtiverem resultados positivos.

Segundo o secretário especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, resultados de um projeto piloto do programa, aplicado em 46 mil indígenas do Amazonas e de Roraima, indicaram níveis "preocupantes" de HIV e sífilis.

A prevalência de sífilis na população indígena avaliada foi de 1,43%, inferior à média do resto do país (2,1%), ao passo que a de HIV foi de 0,1%, ante 0,6% da média nacional.

Para Souza, ainda que inferiores aos índices nacionais, ambos os dados exigem atenção por demonstrar que há transmissão dos vírus mesmo em populações isoladas, o que indica que seus integrantes mantêm contato com pessoas contagiadas fora das aldeias.

"Qualquer índio que obtenha resultado positivo numa aldeia é motivo de preocupação", disse o secretário à BBC Brasil.

Em gestantes indígenas, a prevalência de sífilis foi de 1,03%, mais baixa que as taxas encontradas em gestantes nos centros urbanos (1,6%). O índice de HIV em indígenas gestantes foi de 0,08%.

Segundo o IBGE (Instituto de Geografia Estatística), há cerca de 650 mil indígenas em aldeias no Brasil.

Resultados rápidos
De acordo com Souza, os kits para o teste garantem, com poucas gotas de sangue, a obtenção dos resultados em até 30 minutos e podem ser transportados mesmo em condições de calor e umidade, fator essencial para que sejam levados às aldeias mais remotas.

Antes, os indígenas precisavam ser removidos para as áreas urbanas para a coleta de sangue e posterior análise dos resultados, o que podia levar até 15 dias.

Os testes começam a ser aplicados em aldeias de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Mato Grosso nos dias 27 e 28 de agosto; nos meses seguintes, devem chegar aos demais Estados.

Souza explica que os aplicadores estão sendo treinados por cerca de 70 técnicos que participaram de um seminário em Brasília no mês passado.

Em caso de resultados positivos para sífilis, a equipe dará início imediato ao tratamento; já nos casos de HIV e hepatite, os indígenas serão convidados a realizar testes de confirmação no município mais próximo. Comprovada a doença, serão tratados em unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).

Para Souza, ao promover o encaminhamento à cidade somente dos indígenas diagnosticados, o programa garantirá a economia de recursos. Ele afirma ainda que uma das premissas do programa é garantir que os resultados dos exames fiquem sob sigilo, para evitar a discriminação dos infectados.

Segundo Souza, o programa também visa informar os indígenas sobre como as doenças se transmitem e os modos de prevenção. Para isso, explica que os agentes terão de levar em conta as características culturais locais.

"Sabemos que há culturas indígenas que não aceitam o uso de preservativos", afirma. "Teremos que trabalhar para que, se não usarem na aldeia, ao menos usem quando se deslocarem à área urbana, em caso de contato com pessoas de fora."
Ele diz que, em certos grupos, as mulheres costumam ser mais resistentes ao uso da camisinha, questão que também deve ser abordada nas campanhas educativas.

Tratamento de HIV
A médica e idealizadora do programa, Adele Benzaken, da Fundação Alfredo da Matta, diz que, no projeto piloto, quase 100% do público-alvo concordou em fazer o teste.

Ela afirma ainda que a acolhida aos tratamentos indicados para sífilis tem sido igualmente positiva. "A população indígena gosta de ser testada e acredita muito no tratamento injetável", disse ela à BBC Brasil.

O problema maior, segundo Benzaken, é convencê-los a se tratar em caso de HIV, pois diz que os indígenas costumam resistir à ideia de que devem passar o resto da vida ingerindo medicamentos para combater uma doença que, em muitos casos, demora a provocar sintomas.

Outra complicação é removê-lo para o município mais próximo. "Já vi indígena se negar porque quer fazer o tratamento com o pajé, e aí você não pode fazer nada", afirma.

A transferência para a cidade, segundo a médica, torna-se ainda mais improvável quando esses indígenas já tiveram decepções com o sistema de saúde.

LEIA MAIS

Notícia da BBC Brasil no UOL: http://noticias.uol.com.br/bbc/2011/08/17/

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL: 16/08/11

Série de TV “montada” fere Código de Ética para cineastas (Matsigenka - PERU )

Matsigenka/Peru/CICADAOs Matsigenka foram repetidamente mal traduzidos na série televisiva © Cicada

Após a polêmica recente sobre o BBC e Travel Channel sobre a “montagem” de uma série de TV tribal, a organização civil Survival International lançou um código de prática para os cineastas que trabalham com povos indígenas (pdf, 983 KB). As orientações visam evitar distorções e enfoques potencialmente prejudiciais aos povos indígenas.
O código enfatiza a responsabilidade dos cineastas para que, ao levarem uma “boa história” aos espectadores, não permitam a formação de uma opinião injusta ou não representativa do povo indígena retratado. Reitera também o papel crucial dos documentários em no “tratamento público aos povos tribais ".

A Survival elaborou um código de prática após uma série de acusações por dois eminentes especialistas sobre uma série de TV sobre o povo Matsigenka da Amazônia. Os  Matsigenka foram descritos no programa como “selvagens” e “cruéis”, o que levou os Drs. Glenn Shepard e Snell Ron a classificarem a série como "encenada, falsa, fabricada e distorcida".
“Mark & Olly: Vivendo com os Machigenga” foi mostrado no Travel Channel nos EUA, e na BBC-Londres  no ano passado. Apresentado por Mark Anstice e Steeds Olly,  pretendia mostrar a "realidade" da vida entre os Matsigenka.
Stephen Corry, diretor da Survival, chamou-lhe "um exemplo deprimente de como os povos  tribais são rotineiramente retratadas na TV. Um estereótipo seguido de outro ... a TV de agora passa retratos que não seriam  fora de lugar, se fossem na era vitoriana.
O Código da International Survival discute a" prática ética quando das filmagens de povos tribais", e aborda a responsabilidade moral necessária para produzir um filme, que tem o potencial de ser a "única maneira pela qual os espectadores podem aprender alguma coisa sobre a tribo/povo em questão». Também alerta para as armadilhas de cineastas e conseqüências da produção de irresponsáveis; o código inclui uma lista de verificação de padrões que os cineastas podem seguir.

Survival Filmmakers Cineastas têm a responsabilidade de retratar os povos tribais de forma justa. © Survival

O ator e radialista Michael Palin adotou as orientações da Survival, dizendo: 'Sou totalmente a favor do código de prática da Survival. Os povos são mais importantes que os programas ". O renomado escritor e cineasta Hugh Brody também verbalizou seu apoio.
Todas as emissoras trabalham com códigos de conduta, impostas por reguladores independentes , como o Ofcom no Reino Unido . Mas os questionamentos levantados pela série de TV de Mark& Olly demonstram como é vital orientações éticas específivas ára filmagens entre povos indígenas/tribais.O Código de Ética da Survival International preenche esse vácuo.
Dividido em seções claras, abrange a importância do respeito, segurança, edição, justiça,  verdade e precisão. Também evidencia os riscos no uso da língua, que distancia os  povos tribais do mundo industrializado, questionando aos realizadores, 'Será que eu poderia retratar uma comunidade de negros, judeus ou muçulmanos do meu próprio país desta forma? "


"Prática ética em filmagens de povos tribais 'Download (pdf, 983 KB) (inglês)

“Prácticas éticas en producciones con pueblos indígenas” (espanhol)

Notícia (em inglês) em http://www.survivalinternational.org/news/7589

 

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL:15/08/11

Brasil reforça segurança diante de "situação de crise" em ameaça a índios isolados

Isolados Xinane-AC?G.Miranda/FUNAITraficantes de droga adentraram ao território dos índios isolados que foram manchetes em todo o mundo em fevereiro. © Gleilson Miranda / Funai / Survival

O Governo Brasileiro declarou que enviará agentes da Força Nacional de Segurança para ajudar a proteger  uma  tribo indígena não contatada ,cujo paradeiro se desconhece após um  ataque de narcotraficantes a um posto de proteção governamental .
A International Survival.na semana passada informou que traficantes de drogas pesadamente armados oriundos do Peru haviam cercado e saqueado a base de proteção indígena no oeste da Amazônia brasileira. O temor pelo bem estar dos índios aumentou após os funcionários da FUNAI (departamento de Assuntos Indígenas do Governo do Brasil) encontrarem uma flecha quebrada dentro de uma mochila abandonada pelos traficantes.
A FUNAI fez um sobrevôo na área para procurar sinais dos índios isolados. Verificou-se que as habitações e as plantações estavam em boas condições. Mas os temores permanecem elevados, como ainda não houve avistamentos dos próprios índios.
A Secretária de Segurança Nacional do Brasil,  Regina Miki,  declaradamente denominou as circunstâncias de "situação de crise", exigindo uma "ocupação permanente pelo Ministério da Defesa".

Tais índios, não contatados, foram manchetes em todo o mundo em fevereiro passado . O diretor da Survival, Stephen Corry , descreveu seu desaparecimento como "extremamente angustiante". Ele afirma: "Felizmente, parece que as medidas estão sendo tomadas pelo Brasil para melhorar a segurança na área, e espero que impeçam que  essa parte da Amazônia se torne um paraíso para os traficantes de drogas. Mas o Peru deve também fazer sua parte , visto que parece ser de onde os traficantes estão vindo. "
A Survival International   escreveu ao presidente do Peru ( PDF , 23,4 KB) pedindo-lhe para evitar novas invasões das terras dos índios e para se " implementar medidas para proteger as tribos”. Este mapa ( PDF , 889 KB) mostra a proximidade da fronteira peruana com a área habitada pelos índios isolados.

Notícia (em inglês) em : http://www.survivalinternational.org/news/7585

 

 

 

 

NotíciasUOL: 15/08/2011

Capangas destroem acampamento de índios guarani em Iguatemi (MS), diz antropólogo

Pelo menos 50 índios guarani-kaiowá acampados desde 7 de agosto na divisa de duas fazendas em Iguatemi (466 km de Campo Grande), tiveram os barracos de lona destruídos por supostos capangas dos fazendeiros na madrugada deste domingo (14). Eles, que brigam pelo reconhecimento da área como indígena desde a década de 1970, disseram que correram para a mata e lá ficaram até a manhã de hoje.
Esta é a terceira vez que os guarani tentam se fixar naquela área. Na primeira, em julho de 2003, e, em novembro de 2009 eles foram expulsos à força, alguns tiveram braços e pernas quebradas, e um adolescente sumiu, segundo o antropólogo Benites Tonico, doutorando do 3º ano na Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ). Ele é guarani-kaiuwá e age como porta-voz dos índios.
Tonico disse que para os índios a área ocupada chama-se Tekoha Pyelito Kuê – Mbarakay [povo pequeno], mas lá situam-se duas fazendas, a Maringá e a Santa Rita. A área em questão é parte de um estudo preparado pela Funai desde o ano passado.
Tonico afirmou que ontem à noite, homens foram à área com tratores e cavalos. Eles destruíram os barracos e levaram os pertences dos índios, como roupas e comidas. De acordo com ele, nesta manhã outros 50 índios, entre os quais crianças, se juntaram aos guarani-kaiuwá e prometeram resistir aos ataques dos supostos capangas.
Técnicos da Funai, acompanhados de agentes da Polícia Federal, estiveram no local na semana passada e deram aos índios cestas básicas e lonas. Tudo foi levado pelos capangas na investida deste domingo, segundo o porta-voz dos guarani.

"Interdito proibitório"

Servidores do órgão fizeram um relatório da ocupação e avisaram o Ministério Público Federal (MPF), que acompanha o caso e investiga ainda a violência imposta na desocupação da área em 2009.
O dono de uma das fazendas, a Santa Rita, é o prefeito de Iguatemi, José Roberto Felipe Arcoverde (PSDB). No relatório, a Funai disse que ele teria em mãos um documento judicial, interdito proibitório, que impediria a ocupação.
Arcoverde não foi localizado pela reportagem do UOL Notícias nesta tarde. Ele estaria em viagem. A fazenda Maringá, que, segundo o relatório, pertence a Dagmar Vargas Antunes, também não foi encontrada.
O antropólogo Benites Tonico disse que os guarani brigam pela área ocupada desde 1971. “Muitos índios que vivem por ali trabalham como peões de fazenda, nunca saíram da área”, disse Tonico.
O antropólogo informou ainda que na região de Iguatemi ao menos 20 mil hectares pertencem aos 1,5 mil índios que vivem por lá.

Celso Bejarano; notícia em : http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/15/

 

 

 

 

ODIA Online: 15/08/11

Índios bolivianos fazem protestos contra rodovia financiada pelo Brasil

Protesto Indígena/Bolívia/EFEEstrada terá mais de 300 quilômetros entre a Amazônia e o centro da Bolívia | Foto: EFE

La Paz (Bolívia) - Grupos indígenas bolivianos e organizações de moradores das cidades de El Alto e Potosí iniciaram nesta segunda-feira diversas passeatas de protesto para pressionar o Governo do presidente Evo Morales contra a construção de uma estrada financiada pelo Brasil.

O maior conflito foi iniciado por 500 índios do ocidente e do oriente que começaram uma passeata na cidade amazônica de Trinidad, que percorrerá durante um mês 500 quilômetros rumo a La Paz, para exigir que Morales detenha a construção da estrada que atravessará o território de uma reserva natural.

No entanto, o governante está decidido a levar adiante as obras da estrada que atravessará o Parque Nacional e Territorio Indígena Isiboro-Secure (Tipnis) porque a considera fundamental para a integração do país, ao unir as regiões de Cochabamba (centro) e Beni (nordeste).

Trata-se de um parque criado em 1965 e reconhecido desde 1990 como território das etnias mojeña, yucararé e chimán, em uma superfície de 12 mil quilômetros quadrados, que possui uma rica fauna e flora, mas que está ameaçada pelos produtores de coca da região de Chapare, onde ficam as bases sindicais de Morales.

Antes de começar a caminhada, o dirigente do Conselho de Ayllus y Markas del Qollasuyo, o aimara Rafael Quispe, destacou a aliança entre as etnias do planalto e as amazônicas "para fazer respeitar seus direitos, a Mãe Natureza e o território". As tribos e os ativistas ambientais contestaram o líder por contradizer seu discurso ambientalista, pelo qual foi inclusive reconhecido pelas Nações Unidas, cuja Assembleia Geral declarou-o há dois anos Herói Mundial da Mãe Natureza.

A estrada em questão terá mais de 300 quilômetros entre a Amazônia e o centro do país e demandará um investimento de US$ 415 milhões, dos quais US$ 332 milhões são financiados pelo Brasil. A passeata indígena foi apoiada em La Paz por cerca de 400 jovens ambientalistas que protestaram em frente à embaixada brasileira e tentaram chegar à praça Murillo, onde fica o Palácio de Governo, embora seu acesso tenha sido bloqueado pela Polícia.

El Alto, vizinha de La Paz e uma das cidades mais pobres do país, amanheceu parcialmente paralisada por moradores que iniciaram uma greve sem tempo definido para reivindicar que não se postergue o censo demográfico previsto para este ano, porque esperam que os resultados desse estudo garantam mais recursos a esse município.

As informações são da EFE. Notícia em: http://odia.terra.com.br/portal/mundo/html/2011/8

 

 

 

Página 20(AC): 14/08/2011

Sertanista fala sobre a situação na base da Funai na fronteira

Meirelles defende a manutenção de relações diplomáticas com o país vizinho para proteção dos povos indígenas

O antropólogo indigenista Terrei Aquino enviou ontem, de Brasília, um novo comunicado do sertanista Meirelles que permanece na base Xinane, da Frente de proteção Etnoambiental Envira, atacada na semana passada por um grupo de paramilitares peruano. O caso teve repercussão internacional e exigiu intervenção da Funai, bem como  a presença de Força Nacional na região. O governador do Acre, Tião Viana, também enviou policiais militares para proteger Meirelles e seus auxiliares não na fronteira com o Peru.

Terri Aquino diz que “nesse último comunicado o velho do rio (Meirelles) chama atenção para a necessidade da Funai manter relações diplomáticas com o país vizinho para estabelecer áreas em ambos os lados da fronteira internacional destinadas exclusivamente aos povos indígenas, sobretudo aos povos que estão numa situação de isolamento voluntário, onde não hajam projetos de desenvolvimentos  (explorações madeireiras, de petróleo e gás, mineração), obras de infraestruturas (estradas, hidréletricas etc) e atividades ilícitas ligadas ao narcotráfico.
“Sem isso – argumenta o antropólogo - vai ser muito difícil evitar a repetição de episódio como esse, e até piores, que estão acontecendo agora no alto Envira, que é um rio binacional. Na minha modéstia opinião isso é mais um assunto para o Itamarati do que para Funai, que é um órgão inexpressivo na estrutura do governo brasileiro, mas não custa nada tentar, assim mesmo”.
A seguir, a íntegra do comunicado de Meireles, enviado sexta-feira à noite:

“ Boa Noite a todos,


Hoje o efetivo da Força Nacional todo chegou. Oito. Como fizemos com a turma do BOPE, agora sem Carlos e Artur, conversei muito com eles, explicando nosso trabalho, o que são os povos isolados e como agem. Principalmente agora no auge do verão, quuando estão espalhados pelas beiras dos igarapés comendo peixes. Vamos começar  amanhã a dar uma olhada nas cabeceiras dos igarapés para ver se os peruanos estão escondidos por lá, esperando a poeira baixar.
O primeiro dia da nova turma foi bom. Parece que consegui me fazer entender.
Ainda não tenho respostas sobre toda esta movimentação aqui na terra dos parentes  e nem avaliar o que ELES estão achando disso tudo. Infelizmente , chegamos a este ponto. Depois vem Exército, e sabe lá mais o que.
É hora da FUNAI ter uma relação estreita e forte com as embaixadas dos países vizinhos, se quisermos um futuro mais longo aos nossos parentes brabos.
E de pensar nos nossos mateiros, antes terceirizados, agora desempregados. E aqui trabalhando. Esses homens tem um valor que a burocracia não consegue entender.
Conto com Carlos e Auxiliadora para resolver isso, assessorando o Márcio nessa empreitada.
Ou repensamos tudo isto, ou os dias dos parentes estarão contados. Tudo gira em torno das fronteiras de países vizinhos, que  pensam só em desenvolvimento, estradas, petróleo e tudo mais.
É preciso deixar espaço e tempo para os povos indígenas dessas fronteiras, isolados ou não. Ou todos estarão a serviço das madeireiras, petroleiras e traficantes num futuro bem próximo.
Está na mão de vocês aí de Brasília, que decidem.
Um grande abraço a todos,


Do Meirelles”.

Notícia em : http://pagina20.uol.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=23938&Itemid=42

 

 

 

G1- Globo Natureza: 11/08/2011

 

Funai divulga imagens de área de índios isolados no Acre

No local vivem os indígenas que estariam ameaçados por invasores. Órgão federal acredita que não houve contato entre índios e peruanos.

Maloca de isolados-XinaneAC/FUNAIEm sobrevôo, roça e  maloca intacta foram avistados. (Foto: Mario Vilela - Funai/Divulgação)

A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou nesta quinta-feira (11) fotos do local onde moram os índios não contactados que se temia terem sofrido algum tipo de violência da parte de um grupo armado que estaria circulando pela Terra Indígena Isolados do Envira, no oeste do Acre, de acordo com informações de servidores do órgão federal. As imagens foram feitas na terça-feira.
"O bom estado das moradias e plantações indica que é baixa a possibilidade de que tenha havido contato com o grupo armado vindo do Peru, que esteve monitorado pela equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Funai", afirma o órgão em nota.
Na quarta-feira (10), a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, já havia adiantado ao Globo Natureza que os isolados aparentemente não haviam sofrido violência.

“Sobrevoamos a base da Funai. Verificamos que ela está intacta e não tem qualquer avaria. Sobrevoamos mais dez minutos para frente e avistamos roças e malocas novas. Estavam todas intactas. Isso nos leva a supor que esses índios estavam bem”, informou a secretária.

Ainda assim, de acordo com Miki, dez homens da Força Nacional de Segurança serão mandados à base até sexta-feira para apoiar os servidores da Funai que estão no local até a chegada do Exército, que deve enviar tropas para lá até o fim de agosto.
Um traficante de drogas português foi preso na floresta na última semana. “Vamos para lá para amenizar os ânimos. Os servidores temem represálias, o que é normal”, diz a secretária. O português estaria com dois peruanos, que não foram capturados.

Roçado de Isolados-XinaneAC/FUNAI Plantação dos índios isolados em meio à selva.  (Foto: Mario Vilela - Funai/Divulgação)

Invasão
Há cerca de uma semana, a Base Xinane da Funai, na Terra Indígena Isolados do Envira, virou foco de atenção porque servidores do órgão federal de proteção aos índios alertaram que haveria um grupo armado de peruanos circulando nas imediações. No momento, a equipe da Funai na base está sendo protegida por seis soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Acre.
Na última semana, os servidores da Funai, entre eles o coordenador de Índios Isolados e de Recente Contato da fundação, Carlos Travassos, denunciaram que um grupo armado vindo do Peru estaria rondando a região onde habitam os indígenas isolados, no Rio Envira.

Isolados Xinane-Roça e Maloca/FUNAI Grupo vive a cerca de 30 km da fronteira do Acre com o Peru. (Foto: Mario Vilela - Funai/Divulgação)

Eles foram até a base na tentativa de localizar os invasores e proteger os indígenas de um eventual conflito com o bando. Dias antes, índios ashaninka do Peru haviam alertado que o grupo armado estava descendo o Rio Envira em direção ao Brasil.
A Funai pediu a presença da Polícia Federal, que ficou uma semana na base, conhecida como Xinane. Mateiros da Funai viram dois homens armados rondando o local e, mais tarde, localizaram o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, que acabou preso pela PF.
Em março, Fadista havia sido detido na mesma região. Na ocasião, quando abordado pela polícia, ele deixou cair uma mochila no Rio Envira, a qual se suspeita que contenha drogas. O português foi extraditado para o Peru porque tinha uma ordem federal de expulsão do Brasil contra ele, e foi solto no país vizinho.
Depois da prisão do traficante, a PF deixou a Base Xinane. Os funcionários da Funai, no entanto, decidiram ficar e, quando voltavam à base de helicóptero, viram homens correndo para o mato.
No sábado, os funcionários da fundação encontraram, na outra margem do Rio Envira, um acampamento aparentemente usado pelo bando peruano, onde encontraram cartuchos tirados da base da Funai e flechas que pertenceriam aos índios isolados, o que seria um indício de que os homens armados entraram em contato com eles ou estiveram em algum lugar onde estes habitam.

Notícia em :http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/08/

 

 

 

 

Agência Brasil: 11/08/2011

Força Nacional e Exército farão segurança de base da Funai atacada na fronteira com o Peru

Brasília - A Força Nacional de Segurança e o Exército vão reforçar a segurança da base da Fundação Nacional do Índio (Funai) atacada por grupos armados peruanos no fim de julho. A Frente de Proteção Etnoambiental Envira, que atua na proteção de índios isolados, fica a 32 quilômetros da fronteira entre Brasil e Peru e a cinco dias de barco da cidade brasileira mais próxima, Feijó (AC).
A base foi invadida e saqueada por traficantes peruanos. Agentes da Funai temiam que os peruanos tivessem atacado indígenas isolados da região, que foram fotografados pela primeira vez em maio de 2008. Alguns dias após a invasão da base, uma equipe encontrou um acampamento onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com estojos de cartuchos roubados da base da Funai e um pedaço de flecha dos índios isolados.
Apesar dos indícios, as comunidades indígenas isoladas não foram atacadas pelos traficantes peruanos. A avaliação é do presidente da Funai, Márcio Meira, e da secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, que sobrevoaram a região na última terça-feira (9).
“As malocas estão novas e limpas, as roças estão novas, o que nos leva a concluir que os índios estão ali e que se houve algum ataque, foi pontual, e não um massacre, como temíamos”, disse a secretária.
Segundo Meira, não há sinais de ataques às populações isoladas que vivem no lado brasileiro. O presidente da Funai disse que o episódio mostra a necessidade de reforçar a segurança nas 170 terras indígenas localizadas em áreas de fronteira.
A Força Nacional será deslocada para a região nesta semana e deve ficar na área até a chegada do Exército, no fim de agosto.

Luana Lourenço, com informações da Rádio Nacional da Amazônia; notícia em http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-11

Leia também a notícia em "A Crítica", de Manaus: http://acritica.uol.com.br/amazonia/Forca-Nacional-Exercito-funcionarios-Funai_0_533946632.html

 

 

 

 

MPF - Ministério Público Federal: 11/08/11

Suspenso desmatamento da Mineração Rio do Norte em Oriximiná (PA)

Empresa pressionou diretores do ICMBio em Brasília e obteve autorização ilegal, contrária a análise dos técnicos que cuidam da Floresta Nacional Saracá-Taquera

A Justiça Federal em Santarém (PA) suspendeu uma autorização de desmatamento da Mineração Rio do Norte em Oriximiná, noroeste do estado, dentro da Floresta Nacional Saracá-Taquera.  O desmatamento de 267 hectares havia sido autorizado pela direção do Instituto Chico Mendes (ICMBio), em Brasília, contra a análise dos técnicos que cuidam da Floresta Nacional.  O desmatamento faz parte dos planos de expansão da mineradora, numa das maiores áreas de extração de bauxita do mundo.
O MPF sustenta que a autorização é ilegal: a empresa deixou de apresentar o inventário dos produtos não-madeireiros da área, uma exigência para qualquer autorização de desmatamento.  Apenas os produtos madeireiros foram inventariados.  Isso poderia fazer a empresa economizar cerca de R$ 669 mil em produtos como andiroba, copaíba e outros óleos, além de cascas, frutos e sementes, de acordo com o cálculo dos técnicos responsáveis pela análise.
O valor total de mercado dos produtos madeireiros e não-madeireiros da área desmatada é fundamental no procedimento, porque a empresa mineradora é obrigada a pagar à sociedade pela supressão dos recursos florestais.  O inventário também serve para que, depois de encerrada a exploração mineral, a floresta seja recomposta.
Pressões
Diante do inventário incompleto, os técnicos responsáveis negaram autorizar o desmatamento e devolveram o processo para que a empresa completasse os estudos, como ordena a legislação.  Mas, em vez de realizar o inventário, diretores da empresa passaram a pressionar a o chefe da Flona Saracá-Taquera para que fosse liberada a autorização.
Os depoimentos de todos os servidores públicos envolvidos foram registrados pelo MPF e contam a mesma história: a empresa tinha pressa em iniciar o desmatamento e não queria apresentar o inventário completo.  O diretor de relações comunitárias da Mineração Rio do Norte, Ademar Cavalcanti, chegou a propor que o inventário de produtos não-madeireiros fosse exigido depois do desmatamento, como condicionante.
Se isso fosse permitido, o valor devido pela empresa à sociedade poderia ser subavaliado e a proposta foi recusada.  A empresa passou então a pressionar a coordenação do ICMBio em Itaituba.  Novamente, a pressão não surtiu efeito e, diante de mais uma negativa, o diretor da MRN, Ademar Cavalcanti “informou ao chefe da unidade que levaria a discussão à Diretoria de Conservação da Biodiversidade do Instituto, em Brasília”.
De fato, o diretor Marcelo Marcelino de Oliveira e o assessor técnico Fernando Dal'ava, do ICMBio em Brasília, atenderam aos pedidos da MRN e concederam a autorização para supressão de vegetação, em desacordo com as análises técnicas e com as normas internas do próprio Instituto, que não preveem que diretores em Brasília possam se manifestar sobre esse tipo de licença.
A decisão do juiz Francisco de Assis Garcês Castro Júnior, datada da semana passada, suspende a autorização e proíbe a Mineração Rio do Norte de desmatar o Platô Monte Branco enquanto não completar o inventário dos produtos florestais não-madeireiros.  Em caso de descumprimento da ordem, a multa diária foi fixada em R$ 5 mil.

Notícia do MPF-DF em : http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/

 

 

 

 

BRASIL DE FATO: 11/08/11

Dia Internacional do Índio é marcado por ataque a povos isolados

O episódio ocorreu nos últimos dias de julho e os indícios dão conta de que um massacre ocorreu contra índios isolados do Igarapé do Xinane

Em pleno Dia Internacional do Índio, nesta terça-feira (9), o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, desembarcou no Acre (AC) para tratar daquilo que se caracteriza como mais um ataque aos povos em situação voluntária de isolamento na selva amazônica – com ele, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki.
O episódio ocorreu nos últimos dias do mês passado, a 32 quilômetros da fronteira com o Peru, e os indícios dão conta de que um massacre ocorreu contra índios isolados do Igarapé do Xinane - região da cabeceira do Alto Rio Envira, distante 600 quilômetros de Rio Branco, capital acreana. Conforme notícias veiculadas pela imprensa, os dois funcionários da Funai que atuam na Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira falam em “correrias” (massacre) empreendidas sobre os indígenas isolados.
Pontas de flechas foram encontradas por eles e agentes da Polícia Federal (PF) em acampamentos abandonados por supostos narcotraficantes peruanos, autores dos ataques. Mesmo sem a confirmação das mortes entre os indígenas, fica evidente a situação de vulnerabilidade em que se encontram tais comunidades – seja em face da ação de madeireiros, narcotraficantes e toda sorte de exploradores.
“Querem tocar no assunto como se fosse novidade, mas há mais de 10 anos ocorrem com frequência assassinatos e ataques aos povos isolados. São traficantes, madeireiros, grileiros e a compreensão de desenvolvimento de Brasil, Bolívia e Peru que contribuem para a ameaça aos isolados”, denuncia o missionário Lindomar Dias Padilha - que atua pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na região há quase 14 anos.
Parte do Igarapé do Xinane fica no Acre e outra parte está em terras peruanas. Sem definição entre os governos dos dois países, o processo de demarcação e homologação do território está incompleto. Os indígenas, no entanto, transitam entre os dois países alheios aos conceitos de Estado Nacional, soberania, fronteiras. No entendimento dos isolados, trata-se de um único território – sendo eles os donos e protetores.
Nisso também não há nada de novo: em 1910, um grupo de índios Kaxinawá escapou da escravidão num seringal no Alto Rio Envira e só retomou contato com a sociedade envolvente em 1955, mas em território peruano, conforme revela Rodrigo Domingues em artigo do livro Povos Indígenas Isolado da Amazônia (2011:80).
“Não dá para discutir soberania nacional com índios em situação de isolamento. Não participam desse processo de discussão. O Estado precisa garantir a sua soberania e implementar de fato políticas de proteção a essa comunidades, mesmo que em conjunto com governos de outros países”, frisa Lindomar.


 Fronteira Acre/Peru: concentração de isolados
Estende-se pela linha imaginária que divide o Estado do Acre com o Peru uma das maiores concentrações de povos isolados do mundo. Herdeiros de culturas ancestrais e destacada capacidade de resistência aos mais diferenciados ciclos econômicos e surtos desenvolvimentistas, como o do atual governo, além do próprio Peru e Bolívia, tais povos se refugiaram nas cabeceiras dos rios, afluentes e igarapés da região oeste da Amazônia.
A base da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, mantida pela Funai, é responsável por monitorar e preservar a sobrevivência dos índios isolados do Igarapé do Xiname. Lá atuam os profissionais de mais experiência do órgão. O problema da Funai na região, conforme o missionário, é estrutural, ou seja, o órgão não consegue se relacionar com a Polícia Federal para garantir a segurança dos povos em situação de isolamento.
“São funcionários que ficam ali para defender os índios, mas não conseguem. A pergunta é: como vamos garantir a preservação desses territórios e da vida desses índios?”, questiona. Mas defender esses índios de quais ameaças? Do lado peruano, a ação de madeireiros e do tráfico de drogas, que se aproveita dos igarapés com potencial de navegação; do lado brasileiro pelos grandes empreendimentos tocados pelo governo.
O governador do Acre Tião Viana, filiado ao mesmo partido da presidenta Dilma Roussef, o PT, defende a exploração de petróleo e gás no Estado. Por outro lado, os governos brasileiro e peruano seguem na construção dos 2, 6 mil quilômetros da Rodovia do Pacífico, ou Interoceânica, parte dos acordos dos programas propostos pela Integração Regional Sul-Americana (IIRSA). O empreendimento corta diversas áreas onde vivem povos isolados.
Com isso, as estradas levarão exploradores aos locais mais remotos da região amazônica – local onde os isolados encontram refúgio. A vida longe da sociedade envolvente parece estar com os dias contados.


 Modelo de desenvolvimento
Guenter Francisco Lobens, o Chico, é de uma época em que fazer contato com os povos isolados era parte do trabalho indigenista de missionários e antropólogos. Construiu vasta experiência e defende que é essencial acabar com a lógica de que a Amazônia precisa ser ocupada: “É essencial para não expropriar os territórios dos isolados. O problema está aí: o Estado brasileiro não se organizou para fazer essa proteção”.
Os agressores, na opinião de Chico, se sentem então fortalecidos porque elaboram a compreensão de que são agentes do desenvolvimento. A impunidade se consolida no sentimento de que os agressores estão na fronteira do desenvolvimento regional. “São os novos bandeirantes da Amazônia. Se valem disso para escravizar os índios, assassinar, roubar”, analisa Chico.
Se a situação é ruim para os povos contatados, Roberto Liebgott, vice-presidente do Cimi, acredita que para os povos isolados é ainda pior. “Em certa medida é uma política planejada porque facilita a esses exploradores (madeireiros, grileiros) afrontarem as terras desses grupos e explorarem os recursos. Se houvesse uma preocupação, essas áreas seriam delimitadas e fiscalizadas”, diz.
O fato de este último ataque ter sido feito por possíveis grupos de narcotraficantes peruanos é, para Liebgott, sinalização de que o governo brasileiro não se articula internamente e tampouco adota medidas externas para a proteção dos povos isolados.

 
Audiência pública
A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC) encaminhou requerimento nesta terça-feira (9) a Comissão de Relações Exteriores do Congresso Nacional solicitando audiência pública para tratar da questão dos povos em situação de isolamento na fronteira do Estado do Acre com o Peru.
Segundo seus assessores, o objetivo é definir um protocolo de ações para apontar soluções ao conflito que se arrasta há anos. Além de colocar em risco a vida dos indígenas, é também motivo de preocupação para a soberania nacional. Serão convocados representantes do Itamaraty, Ministério da Justiça, Funai e entidades indígenas e indigenistas.

Renato Santana; notícia em http://brasildefato.com.br/node/7094

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL(PARAGUAI)10/08/11

Perseguição de índios isolados paraguaios revelada à ONU (Ayoreo Totobiegosode)

Ayoreo-Paraguai/GATMembros de uma família Ayoreo contatados em 2004 (foto GAT/Survival).

Funcionários das Nações Unidas receberam um alerta sobre a ameaça iminente que se abate sobre as vidas dos últimos indígenas isolados de Paraguai, pouco antes da reunião que ocorre hoje para examinar o histórico de discriminação racial do país.
Em um informe remetido ao Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD, na sigla em inglês), a Survival International denunciou as empresas envolvidas na perseguição dos Ayoreos isolados, que são extremamente vulneráveis.
Os indígenas são sistematicamente expulsos de suas habitações na floresta do Chaco, no norte do Paraguai, para dar espaço às fazendas de gado.

Os pecuaristas estão destruindo as matas dos Ayoreo Totobiegosode e os expõem a enfermidades mortais frente às quais não têm imunidade.
Recentemente, as empresas de propriedade brasileira BBC S.A. e River Plate S.A. foram pegas em flagrante enquanto desflorestavam ilegalmente terras habitadas por Ayoreos não contatados.

AyoreoXEscavadeira/GAT-Survival Um grupo de líderes Totobiegosode contempla uma das enormes escavadeiras que estão destruindo grande parte de seus territórios de caça, no Paraguai. ©GAT/ Survival

Os pecuaristas estão destruindo as matas dos Ayoreo Totobiegosode e os expõem a enfermidades mortais frente às quais não têm imunidade.
Recentemente, as empresas de propriedade brasileira BBC S.A. e River Plate S.A. foram pegas em flagrante enquanto desflorestavam ilegalmente terras habitadas por Ayoreos não contatados.
O Estado pagou a ambas as empresas por 18.000 hectares de terra sob a condição de que fossem devolvidas aos Ayoreos.No entanto, se negam a completar a transferência enquanto não lhes garantam a autorização para desflorestar terras adjacentes a esta área.
Os membros já contatados deste povo indígena há quase vinte anos lutam para conseguir títulos de propriedade sobre suas terras, para eles e para seus aparentados isolados, porém até o momento o Governo não expulsou os pecuaristas dos territórios ancestrais dos Ayoreo.
O informe da Survival International  insta a CERD a pressionar o Governo do Paraguai para que solucione o problema e a  ajudar ao avanço da reivindicação territorial dos Ayoreos, longamente esperada, para que seus familiares não contatados possam viver em paz em suas terras tradicionais.

Notícia (em espanhol) em http://www.survival.es/noticias/7578

 

 

 

Agência de Notícias/ Acre.Gov: 10/08/11

Governos estadual e federal atuam em parceria para garantir segurança onde estão índios isolados

Secretaria Nacional de Segurança garante a ida de equipe da Força Nacional até  que Exército seja enviado para a região

Reunião Sec Segurança MJ/G.Miranda/ASCOM-ACDurante reunião onde foram discutidas as estratégias de segurança que serão implementadas na região de fronteira entre Brasil e Peru, a secretária Regina Miki agradeceu o trabalho da Polícia Militar do Acre e ressaltou que as ações asseguraram a integridade dos funcionários da Funai que trabalham naquela região (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

A secretária nacional de Segurança do Ministério da Justiça, Regina Miki e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, acompanhados do diretor da Força Nacional, Major Aragon, sobrevoaram na terça-feira a tarde, 9, a região do município de Feijó onde está localizada a base Xinane, da Funai.

Regina Miki e Márcio Meira vieram ao Acre para definir, em parceria com o Governo do Estado, Polícia Federal e Força Nacional as ações que serão tomadas para assegurar a proteção dos servidores que atuam na base Xinane, dos índios isolados e do território nacional que há indícios de que está sendo invadido por narcotraficantes peruanos.

A chefe da Gabinete Civil, Márcia Regina, destacou que tão logo o Governo foi informado sobre a situação na fronteira tomou providências.

“O governador Tião Viana acionou o Ministério da Justiça, conversou por várias vezes com o presidente da Funai. Nós estamos sempre na linha de frente porque nosso Estado é tríplice fronteira. As forças estaduais estão sempre nesse ‘pronto-atendimento’. O Governo do Estado fez um grande esforço com integração de ações no primeiro momento com a Polícia Federal e num segundo momento com a Polícia Militar”, lembrou a chefe de gabinete.

Força Nacional vai atuar na fronteira

Durante reunião onde foram discutidas as estratégias de segurança que serão implementadas na região de fronteira entre Brasil e Peru, a secretária Regina Miki agradeceu o trabalho da Polícia Militar do Acre e ressaltou que as ações asseguraram a integridade dos funcionários da Funai que trabalham naquela região.

“É preciso reconhecer que o Governo do Estado em nenhum momento se omitiu a situação que se apresentou naquela área. O governador não mediu esforços para mobilizar sua equipe e deslocar policiais preparados para averiguar a situação no local que permanecem até agora na área”, destacou Regina Miki. 

A secretária Nacional de Segurança Pública certificou que a integração entre as policiais vai permanecer para manter a vigilância na fronteira entre Brasil e Peru na área próxima ao município de Feijó.

“Foi feita um pré-intervenção num momento de crise e isso prevalecer. Nós queremos ao final deste mês as Forças Armadas fazendo a segurança ali na região. Mas, enquanto isso não ocorre, a Força Nacional vai fazer o trabalho de segurança do local e dos servidores da Funai e assim, liberar a Policia Militar do Acre que tem outras atribuições”, revelou a secretária.

Ela detalhou que durante a permanência da Força Nacional na fronteira os funcionários da Funai terão oportunidade de pesquisar e descobrir se os índios isolados estão em segurança depois da suspeita de invasão de peruanos armados no local.

Trabalho na base Xinane segue na defesa de isolados

O presidente da Funai, Márcio Meira informou que o trabalho dos funcionários da base Xinane continuará para manter a proteção dos indígenas isolados que estão sob risco depois da informação acerca da chegada de supostos narcotraficantes.

Segundo Meira, com a ação do Estado brasileiro e da presença sobrevoando a área a decisão  é de continuidade do trabalho e tomar todas as medidas necessárias por meio do Ministério da Justiça, Funai, Força Nacional em parceria com o Governo do Acre para garantir a segurança dos servidores, mas também a segurança dos indígenas.

“Sobretudo dos índios isolados que são a principal missão da Funai naquela região. Com o sobrevoo que fizemos nessa terça-feira tudo indica que os índios isolados estão bem. Notamos que as malocas estão limpas, ou seja, sem mato em suas coberturas e seus arredores e há hortas em bom estado de conservação. Acreditamos que os índios não apareceram porque estavam com medo dos aviões e helicópteros que estão sobrevoando a região esses dias”, observou Meira.

Ainda esta semana uma equipe com 16 agentes da Força Nacional se deslocará para Feijó  possibilitando que os homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais) retornem. A equipe, de acordo com Regina Miki, ficará na fronteira Brasil-Peru até que chegue ao Acre um grupo de homens do Exército, que até o final do mês estão atuando na Operação Defesa da Vida.

Nayanne Santana ; notícia em:  http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=16453&Itemid=26

 

 

 

O Eco: 09/08/11    

Indígenas isolados correm risco na fronteira com Peru

Malocas Isolados-AC/G.Miranda/FUNAIPovos indígenas isolados do alto Envira, retratados em sobrevoo realizado em abril de 2008 pela Funai. Hoje, ameaçados por grupos armados paramilitares. Crédito: Gleilson Miranda, arquivo CGIIRC/FUNAI, 2008.

Ameaçados principalmente por madeireiros e vistos como obstáculos para o narcotráfico, os índios isolados na região da fronteira com o Peru, na foz do rio Xinane, no Acre, encontram-se desde o dia 23 de julho em perigo de massacre iminente. Há cerca de uma semana, um grupo de traficantes peruanos invadiu a Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira, e dominaram o posto da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, deixando cercados cinco funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai). Entre eles está o coordenador-geral de Índios Isolados e Recente Contato, Carlos Travassos, e o sertanista José Carlos Meirelles, ex-chefe da Frente.


Os funcionários da Funai acreditam que os narcotraficantes tenham invadido a área para exterminar os índios com vistas a abrir rotas de fuga para o tráfico internacional. No último sábado (6), foram encontrados vestígios de que o grupo está nas cercanias do posto. Segundo Travassos, foi avistado um acampamento grande e outros pequenos. Em um deles foi encontrada uma mala com caixas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha comprovadamente dos isolados, atestando as evidências de que o grupo armado tenha possivelmente atacado os índios.

“Esse grupo está fazendo ‘correria’ de índios isolados, isto é, matança organizada, como suspeitávamos. Temos agora uma prova cabal. Estamos mais do que nunca preocupados com a situação dos isolados. Esta situação pode ser um dos maiores golpes já visto nos trabalhos de proteção dos índios isolados das últimas décadas. Uma catástrofe da nossa sociedade. Genocídio!”, afirmou por e-mail, indignado, o coordenador.

Os funcionários pedem reforço das forças armadas. De acordo com Carlos Meirelles, a base está cercada por todos os lados. “Se tem um pessoal da polícia ou do exército, fica mais fácil capturá-los, pela proximidade que eles estão. Mas só nós, em cinco, é mais difícil”, disse.


Foi realizada na área há aproximadamente cinco dias uma operação da Polícia Federal (PF), com o apoio logístico do Estado e do Exército. Na ocasião, foi preso pela segunda vez o português Joaquim Antonio Custodio Fadista, procurado pela polícia por tráfico internacional, e que já havia sido capturado e extraditado para o Peru em março deste ano, por invadir a mesma Terra Indígena. Apesar das evidências de que um número maior de traficantes permanecia nas imediações do posto, a PF abandonou o local após a prisão de Fadista.


Os funcionários da Funai pedem providências governamentais. Após a relutância dos cinco membros em deixar o posto, sendo a única presença do Estado brasileiro a resguardar a proteção do território de grupos isolados, o presidente do órgão, Márcio Meira, afirmou que se encaminhará à base para acompanhar a situação ainda nesta terça-feira (9). Ele tenta articular com o Ministério da Defesa medidas de proteção para a faixa de fronteira Brasil-Peru, que abriga a maior concentração de indígenas em isolamento no mundo.

Leia Também:

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Um apelo para a proteção dos índios isolados, por Maria Emília Coelho

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Natália Clark; notícia em: http://www.oecoamazonia.com/br/blog/281

 

 

 

Agência de Notícias/ Acre.Gov: 09/08/11

Secretária do Ministério da Justiça discutirá ações de segurança para área de floresta em Feijó

Secretário Ermício Sena e comandante Anastácio asseguram que equipe do Bope está na região para garantir segurança a equipe da Funai

O secretário adjunto de Segurança Pública, Ermício Sena, concedeu entrevista na manhã desta terça-feira, 9, para relatar os procedimentos tomados pelo Governo do Estado que visam assegurar a integridade dos funcionários da Funai que estão numa área onde há suspeitas que narcotraficantes estariam em conflito com indígenas isolados no município de Feijó, nas proximidades da fronteira Brasil e Peru.
Ermício Sena contou que logo depois que o Governo do Estado foi informado sobre a possível presença de invasores na região do Alto Envira, na área onde esta localizada uma base da Funai, o Estado se colocou a disposição da Fundação e da Polícia Federal disponibilizando equipamentos e pessoas para ajudar.
“O governador Tião Viana, de forma proativa, colocou a Polícia Militar a serviço desse problema. No local não houve confirmações de morte. O que houve foi à prisão de um narcotraficante que tinha, conta ele, mandados de prisão abertos em outros Estados. E, até o momento, há especulação de que narcotraficantes e guerrilheiros vindos da área de fronteira possam estar circundando aquela área”, detalha Sena.
O secretário adjunto de Segurança Pública ressalta que neste momento é aguardada a chegada da secretária Nacional, Regina Miki que vem acompanhada pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira. Eles chegam hoje, 9, a Rio Branco.
A partir das 15 horas Regina Miki e Márcio Meira participarão de uma reunião integrada no gabinete do governador com a participação de representantes da área de segurança pública estadual e Federal.
“Nós temos que proteger as populações indígenas da região e nesse aspecto o governador determinou que o Estado disponibilizasse nossas equipes para ficarem à disposição para o caso de um eventual conflito”, informa o secretário.
Atento aos fatos que estão acontecendo num área isolada do Acre, o governador Tião Viana tem mantido contato permanente com o Ministério da Justiça e com a Casa Civil para buscar alternativas que possam resguardar os povos indígenas e os brasileiros que vivem na região que está sendo invadida por traficantes.
O comandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel José dos Reis Anastácio, assegura que não há risco de conflitos na região próxima a base da Funai. O coronel Anastácio conta que conversou com o sertanista Carlos Meirelles durante a manhã e essa possibilidade foi descartada.
“No domingo o governador solicitou que destacássemos homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para aquela região com a finalidade de garantir a seguranças dos funcionários da Funai e de outras pessoas que estavam em risco. Logo que chegaram eles já iniciaram os trabalhos de segurança e na segunda-feira patrulharam a região, mas nada foi encontrado”, explica o coronel.
O comandante-geral da PM ressalta que nesta terça-feira foi feito outro patrulhamento na área e na quarta-feira, 10, a equipe do Bope conclui o patrulhamento na área total da reserva.
“Há indícios da presença de traficantes na área, mas não tem ninguém cercado, não tem ninguém sobre cerco. Mas, sabendo do risco de ter traficantes na área o Estado está mantendo os homens do Batalhão de Operações Especiais, treinado para essas missões, no local”, enfatiza o comandante.

Nayanne Santana ; notícia em: http://www.agencia.ac.gov.br/

 

 

 

 

Página 20(AC): 09/08/11

Governador Tião Viana pede atenção

O governo do Estado está com sua atenção voltada à questão dos índios isolados. Toda a mobilização necessária foi feita pelo governador Tião Viana junto ao governo federal, diante da ameaça de um grupo de paramilitares peruanos que está cercando a Base de Proteção Xinane. O prédio faz parte da Frente de Proteção Etnoambiental, da Funai (Fundação Nacional do Índio).


O chefe do Executivo estadual também colocou a estrutura da Secretaria de Estado de Segurança à disposição. Nesta terça-feira, 9, o presidente da Funai, Márcio Meira, e a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, chegam ao Acre para uma reunião com órgãos estaduais e federais e um possível sobrevoo na área. O diretor da Força Nacional, Major Aragon, já está em Rio Branco.


O sertanista Carlos Meireles e seu filho Artur Meireles, que coordena a Frente de Proteção, Carlos Travassos, o coordenador-geral dos Índios Isolados e mais dois funcionários estão no prédio, cercado por paramilitares peruanos. Seis policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram levados ao local para garantir a segurança dos funcionários, a pedido de Tião Viana.


O prédio da Frente de Proteção Etnoambiental está localizada a 23 quilômetros da fronteira peruana e 240 quilômetros da sede do município de Feijó. A equipe da Funai que permanece no local decidiu não abandonar a base para garantir a proteção aos índios. O governador Tião Viana também deu o apoio necessário à ida de uma equipe da Polícia Federal, que permaneceu na região do dia 1 ao dia 4. Uma nova mobilização foi feita para o retorno dos policiais federais, uma vez que o governador considera a situação grave.
Entre 600 e 800 índios vivem isolados na região, em três malocas permanentes.

Tatiana Campos; notícia em http://pagina20.uol.com.br/

 

 

 

Agência Senado: 09/08/11

Senador Aníbal Diniz pede proteção para povos indígenas isolados do Acre

O senador Aníbal Diniz (PT-AC) fez um apelo em Plenário, nesta segunda-feira (8), às autoridades diplomáticas do Brasil e do Peru para que realizem uma operação conjunta com as forças de fronteira dos dois países com o objetivo de garantir segurança a tribos de indígenas que vivem isolados no estado do Acre.
De acordo com Aníbal Diniz, há possibilidade de que esses povos indígenas estejam sendo molestados por narcotraficantes peruanos.
- Não podemos permitir que algo de mal aconteça à vida e a integridade física desses povos.  Se não tiverem a proteção do Estado, eles podem ser dizimados a qualquer momento - disse o senador.
Aníbal Diniz informou ainda que, até o momento, apenas seis policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Acre, se dirigiram para o local, com objetivo de proteger agentes da Fundação Nacional do Índio que estão na área há dias tentando chamar a atenção das autoridades brasileiras para o risco que estão correndo os indígenas.

Notícia em http://www.senado.gov.br/

 

 

 

Blog da Amazônia/Terra Magazine: 09/08/11

Acre enfrenta “situação de crise”, avalia a Secretaria Nacional de Segurança Pública do MJ

Márcio Meira e Regina Miki/A.MachadoRegina Miki e Márcio Meira (Altino Machado)

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse ao desembarcar na tarde desta terça-feira (9), em Rio Branco, que o Acre vive uma “situação de crise” em decorrência do ataque de grupos paramilitares peruanos contra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, mantida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) no igarapé Xinane, na fronteira Brasil-Peru.
- Nós temos aqui uma situação de crise e nesta situação nós temos que conter a crise para que possamos entrar numa linha natural de trabalho. A Força Nacional está aqui para dar a primeira contenção, que é proteger os índios e nossos servidores. A partir disso, nós vamos ter uma ocupação permanente pelo Ministério da Defesa. É para isto que estamos aqui, para pactuar com o governo do Acre - afirmou.
Regina Miki, que chegou acompanhada do presidente da Funai, Márcio Meira, disse  que a “ocupação permanente pelo Ministério da Defesa” vai durar o tempo que for necessário.
- Nós temos operações em que trabalhamos continuamente no Ministério da Defesa. Coordenada pelo Ministério da Justiça, a Operação Sentinela, onde trabalham as Forças Armadas, a Força Nacional e a Polícia Federal. Temos também operações pontuais, a Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Justiça. O que se fizer necessário, o Acre também vai ter, como todos os estados que apresentarem uma contenção de crise - acrescentou.
O presidente da Funai e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça estão sobrevoando a área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira.
Veja a entrevista com Márcio Meira:
Vocês vão até a fronteira?
Vamos fazer um sobrevoo, em seguida voltamos para Rio Branco e vamos sentar com o governo do Acre, para que a gente possa combinar a colaboração que o Estado tem com as providências que o Ministério da Justiça já tem tomado juntamente com o Ministério da Defesa na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, através da Polícia Federal, Funai e Secretaria Nacional de Segurança Pública.
O senhor chegou a determinar que a equipe da Funai se retirasse da área?
A equipe que estava lá desceu por conta da presença de supostos traficantes. A partir daí, tomamos as providências necessárias para que a equipe pudesse voltar, inclusive com a equipe da Polícia Federal prendendo uma dos invasores que estava lá. Vamos continuar atuando para ver se a gente pega as outras pessoas e consegue apurar tudo o que eventualmente esteja acontecendo lá.
Os funcionários da Funai que decidiram permanecer por conta e risco na área poderão sofrer alguma punição administrativa?
De jeito nenhum, imagina. Os servidores estão prestando serviço público. São a presença do estado brasileiro naquela região, juntamente com todos os agentes dos governos federal e estadual, que está atuando conosco para que nossos funcionários sejam protegidos e, sobretudo, os índios sejam protegidos.
O trabalho da Funai na fronteira do Acre com o Peru, onde vivem os índios isolados, vai demandar cade vez mais a participação das populações do entorno?
O trabalho da Funai é sempre complexo. Cada situação é uma situação. Em situações como essa, obviamente, é sempre necessário a parceria, como estamos tendo a parceria de todos os membros do Ministério da Justiça. Estamos com a secretária nacional de Segurança Pública, comigo aqui no Acre, a pedido do Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que determinou que nós estivéssemos aqui para tomar as demais providências com o governo do Acre, além das providências que já foram tomadas. Precisamos proteger os indígenas e os servidores que estão lá na frente.
E a invasão do território brasileiro?
Por isso que é importante, como eu falei, a presença do Ministério da Defesa, pois é uma faixa de fronteira e se trata da defesa nacional. O Ministério da Defesa é um parceiro fundamental.

Entrevista de Altino Machado em: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2011/08/09/

 

 

 

 

O Estado de S.Paulo: 09/08/11

FUNAI quer  apoio da Defesa em área indígena

RIO BRANCO - O presidente da Funai, Marcio Meira, visitará hoje a base da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira na fronteira do Acre com o Peru, que foi atacada e tomada por narcotraficantes armados no fim de julho. A base, mantida pela Funai desde 1987, visa a proteger povos indígenas isolados e seus territórios.
Na sexta-feira, ação conjunta da Polícia Federal, do Exército e da Secretaria de Segurança Pública do Acre conseguiu retomar a base e prender o português Joaquim Antônio Custódio Fadista, condenado por tráfico de drogas no Brasil e em Luxemburgo.

Meira tenta articular com o Ministério da Defesa medidas de proteção para a faixa de fronteira com o Peru, que abriga grande número de índios isolados. A região forma um corredor de mais de 630 mil hectares de florestas na fronteira e é alvo de exploradores de madeira ilegal e narcotraficantes.

Golby Pulling, especial para O Estado; notícia em:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso

 

 

 

 

Página20(AC): 09/08/11

Tensão na fronteira continua mesmo com a chegada do Bope

Invasão de território acreano por paramilitares do Peru põe em risco trabalhadores da Funai e indígenas

A situação da equipe da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, ameaçada desde sexta-feira, 5, por paramilitares peruanos, embora sob controle, continua tensa. Situada em Feijó, a aproximadamente 20km do Peru, a base responsável pela proteção dos índios isolados da região conta, desde domingo, com o apoio de seis homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Acre.
Até o fechamento desta edição não houve notícias de confronto entre peruanos e policiais acreanos, que devem permanecer no local até a resolução do problema. Eles agirão em caso de aproximação dos paramilitares, cujo número ainda é incerto.
Segundo um dos reféns, o sertanista José Carlos Meirelles, o bando pode estar dividido em grupos de cinco ou seis homens. “Eles estavam fazendo uma verdadeira varredura ao redor da base”, denunciou. Junto a Meirelles está o seu filho, o coordenador da frente de proteção, Artur Meirelles; Carlos Travassos, da Coordenação Geral dos Índios Isolados e de Recente Contato, órgão ligado à Fundação Nacional do Índio (Funai); e os mateiros Francisco Castro (o Marreta) e Francisco Oliveira (o Chicão).
A ajuda aliviou a preocupação dos familiares e amigos do grupo. Eles esperam apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, órgãos que devem assumir o caso. Em nota à imprensa, a PF disse estar “procedendo a análise de informações e adotando as providências cabíveis”. A Superintendência da instituição no Acre explicou que o assunto pautou discussão entre Funai, Exército e PF em Brasília.
No início da tarde de hoje o presidente da Funai, Márcio Meira, chega a Rio Branco e deve se reunir com as autoridades locais para tentar resolver a situação, que já dura cinco dias. O ex-assessor especial para assuntos indígenas do Acre, Francisco Pianko Ashaninka, que hoje assessora a Funai, em Brasília, também vem à capital.
“A segurança na fronteira precisa ser melhor avaliada após esse caso”, afirma a ex-sertanista Paula Meirelles, que coordenou por mais de cinco anos a Frente de Proteção Etnoambiental do D’Ouro. “Os indígenas que vivem na região não contam com nenhuma proteção além das bases da Funai. Devem ser criados postos permanentes do Exército para fiscalizar a fronteira”, conclui a filha do sertanista Meirelles.

Entenda o caso

Armados com fuzis e metralhadoras, os peruanos cercaram a base após ação da Polícia Federal e do Exército, que prendeu, na sexta, o português Joaquim Fadista, integrante do grupo. Toda a operação aconteceu no meio da floresta, nas proximidades do igarapé Xinane, a 240km da área urbana de Feijó. O paramilitar havia sido capturado e entregue às autoridades numa outra ocasião pelos membros da frente de proteção.
Fadista, 60 anos, é narcotraficante internacional, condenado por tráfico de drogas no Maranhão, Ceará e em Luxenburgo, pequeno país europeu. Quando preso pela primeira vez, foi extraditado e depois voltou à fronteira, nas proximidades da base.
Após a operação, que não obteve sucesso na captura dos demais paramilitares, a PF retirou do posto todos os trabalhadores. Temerosos quanto à segurança dos índios isolados, o grupo decidiu voltar à base, mesmo sem a segurança. “Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar, tomamos a decisão de voltar. O fato é que ficaremos até que alguém ache que uma invasão do Brasil por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção. Somos irresponsáveis. Talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados”, enfatizou Meirelles.

A preocupação do grupo não é por menos: uma bolsa contendo pedaços de flechas dos isolados foi encontrada nas proximidades da base. O objeto pertencia aos peruanos, que podem estar acompanhados de índios desse país. Os trabalhadores acreditam em conflitos entre os paramilitares e os indígenas, que vivem há décadas em isolamento voluntário nas florestas peruanas e brasileiras.

Leandro Chaves; notícia em http://pagina20.uol.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=23807&Itemid=42

 

 

 

Agência Brasil: 08/08/2011

Presidente da Funai e secretária de Segurança Pública vão à base de proteção indígena atacada por traficantes na fronteira com o Peru

Brasília – O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, chegam amanhã (9) à base da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, acompanhados de um efetivo da Polícia Federal, segundo informações da fundação.
A base, mantida pela Funai, foi atacada por traficantes peruanos no final de julho. O destacamento fica a 32 quilômetros da fronteira entre o Brasil e o Peru localizada no estado do Acre e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC). A equipe da Envira é responsável por garantir a proteção territorial dos grupos de índios isolados que vivem na região acreana de fronteira entre os dois países.
Depois do ataque, os funcionários deixaram o local e voltaram à base na última sexta-feira (5). Uma equipe com seis policiais da Polícia Militar do Acre chegou ao local ontem (7) para dar segurança à equipe de Envira.
Logo após o ataque, a Funai comunicou a invasão ao Ministério da Justiça, que mobilizou a Polícia Federal. Com o apoio logístico do estado do Acre e do Exército, e também com a ajuda de mateiros que trabalham na frente de Envira, a equipe da PF conseguiu rastrear e prender o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista. Ele já havia sido preso e extraditado para o Peru, mas voltou à região, supostamente para pegar uma mochila com drogas.
De acordo com a Funai, um dos funcionários e dois mateiros encontraram vestígios de que os traficantes ainda estejam na região e que podem ter atacado os índios. Isso porque foi encontrada uma flecha, pertencente a uma das comunidades de índios isolados, numa mochila deixada em um dos acampamentos dos traficantes.
A equipe da base ainda está vasculhando a região e encontrou trilhas recentes, que devem ter sido feitas pelos traficantes.

Roberta Lopes; notícia em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-08/

 

 

 

Blog da Amazônia/Terra Magazine: 08/08/11

Narcotraficante português é preso em área de índios isolados pela segunda vez

O português Joaquim Antônio Custódio Fadista, 60, preso pela Polícia Federal na sexta-feira (5), na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, na fronteira com o Peru, é narcotraficante internacional e já foi condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e Ceará, bem como em Luxemburgo.
Fadista foi preso em flagrante pela prática dos crimes de furto qualificado, reingresso de estrangeiro expulso e introdução clandestina de estrangeiro no Brasil.
Ele nasceu em Lisboa e já havia sido preso pelo pessoal da Funai na mesma área, em março, tendo sido entregue às polícias Civil e Federal. Reapareceu acompanhado de outros homens armados com fuzis e metralhadoras.

Narcotraficante J.Fadista-Polícia Civil/ACJoaquim Fadista quando apresentado pela Polícia Civil, em março(fotoPC-AC)

Policias federais disseram que Fadista é muito fechado. Embora demonstre, não confirmou se tem curso superior. Ele carregava um saco nas costas, alguns trocados, além de uma banana e uma macaxeira (mandioca).
- É um sujeito muito estranho. Ele disse que é usuário de entorpecentes. Está com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e vai responder por seus crimes no Brasil - disse o superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane.
A superintendência da Polícia Federal no Acre divulgou nesta segunda-feira (8) uma nota em que confirma ter sido acionada em razão da “suposta presença de grupo armado peruano” que invadiu as instalações da Funai, a 20 quilômetros da fronteira com o Peru, às margens do Rio Envira, região habitada por quatro etnias de índios isolados.
A PF informou que foram mobilizados na semana passada dois grupos táticos, além de agentes do Acre e do Grupo de Pronta Intervenção, de Manaus, totalizando 26 homens.
A operação contou com o apoio logístico da Secretaria de Segurança do Acre e do Exército, que cederam um helicóptero cada, somando-se aos dois aviões e helicóptero próprios da Polícia Federal.
O presidente da Funai, Márcio Meira, e a secretária Nacional de Segurança, Regina Miki, confirmaram presença no Acre nesta terça-feira (9), segundo fontes do governo estadual.

Altino Machado; notícia em http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2011/08/08

Notícia da Agência Estado no R7: "Traficante internacional é preso em selva no Acre": http://noticias.r7.com/cidades/noticias/traficante-internacional-e-preso-em-selva-no-acre-20110808.html

 

 

 

Carta Capital: 08/08/11

Traficantes invadem área de índios isolados no Acre

Na sexta-feira 5, funcionários da Funai retomaram uma terra indígena onde vivem índios isolados na fronteira do Acre com o Peru. Eles afirmaram ter encontrado um grupo de traficantes peruanos no local no fim de julho. Na sequência, no dia 30, a Polícia Federal tomou a área e prendeu o traficante português Joaquim Fadista.
“Demos uma batida no entorno, os peruanos estão aqui em volta, bem pertinho. Vimos algumas tocaias que observavam a operação“, afirmou via e-mail direto da base Xinane, Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados da Funai.
Fortemente armados, relata Travassos, os traficantes montaram uma série de pontos de observação do posto, que havia sido saqueado durante a ausência da equipe da Funai no local. Em razão do risco sob o qual estavam os funcionários da Funai, o governo do Acre enviou, no domingo 7, em medida de urgência, uma equipe do Bope, a tropa de elite da polícia estadual.


Policiais e funcionários da Funai passaram a fazer buscas na floresta pelos traficantes. Em um dos acampamentos foi encontrada uma mochila. Dentro dela, uma ponta de fleche utilizada pelos índios isolados. O vestígio encontrado pela Funai levanta suspeitas ainda mais graves, de que pode ter ocorrido um genocídio: “Esses caras fizeram correria (como se chamavam as matanças de indígenas na época dos seringais) de índios isolados”, suspeita Travassos. “Decidimos voltar para cá por conta de acreditarmos que esses caras possam estar realizando um massacre contra eles”.
Estão na base Xinane 5 funcionários da Funai. Além do coordenador, acompanha o experiente sertanista da fundação José Carlos Meirelles, que trabalha há tries décadas junto aos índios isolados no Acre. “O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano, é algo que mereça atenção”, afirma Meirelles.
Márcio Meira, presidente da Funai, está se dirigindo ao Acre para acompanhar o desenvolvimento da situação. “É preciso que fique claro a presença do Estado brasileiro na área, através dos funcionários da Funai, que estão garantindo a integridade do território e a segurança dos indígenas”, disse.


Nos últimos anos, funcionários da Funai, encabeçados por Meirelles, tem reiteradamente feitos denuncias públicas das ameaças a que estão expostos os índios que vivem em isolamento voluntário na fronteira do Brasil com o Peru. A maior ameaça até então diagnosticada era da atividade madeireira ilegal, em crescente alta no país vizinho, assim como garimpos de ouro. A presença de narcotraficantes, comprovada pelas prisões de Fadista, comprova que o corredor de unidades de preservação está efetivamente sendo utilizado como rota de tráfico, uma ameaça ainda mais grave à sobrevivência destes povos.

Felipe Milanez; notícia em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade

 

 

 

G1-Globo Natureza: 08/08/2011

Grupo armado peruano invade terra de índios isolados no AC, diz Funai

Polícia foi acionada e enviou homens para proteger área de fronteira.Traficante português foi preso pela Polícia Federal em terra indígena.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) denunciou que um grupo armado vindo do Peru está rondando uma região onde habitam indígenas isolados, no Rio Envira, no oeste do Acre.
Seis funcionários da fundação e seis homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do estado estão numa base num ponto remoto da floresta amazônica, na Terra Indígena Isolados do Envira, na tentativa de localizar os invasores e proteger os indígenas de um eventual conflito com o bando, segundo informa o coordenador de índios recém-contatados da Funai, Antenor Vaz, que está em contato constante com eles desde Brasília.
Há mais de três semanas, índios ashaninka do Peru haviam alertado que o grupo armado estava descendo o Rio Envira em direção ao Brasil. A Funai pediu a presença da Polícia Federal, que ficou uma semana na base, conhecida como Xinane. Segundo Vaz, mateiros da Funai viram dois homens armados rondando o local e, mais tarde, localizaram o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, que acabou preso pela PF.

Ação no Xinane-AC/PFHelicóptero da Polícia Federal na base Xinane, oeste do Acre. (Foto: Divulgação/Polícia Federal do Acre)

Em março, Fadista havia sido detido na mesma região. Na ocasião, quando abordado pela polícia, ele deixou cair uma mochila no Rio Envira, a qual se suspeita que contenha drogas. O português, segundo informações da Funai, foi extraditado para o Peru, onde também era procurado e, lá, saiu da prisão, voltando ao Acre em agosto. De acordo com a Polícia Federal, ele é condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e do Ceará, no Brasil, e também em Luxemburgo.
Depois da prisão do traficante, a PF deixou a Base Xinane. Os funcionários da Funai, no entanto, decidiram ficar e, quando voltavam à base de helicóptero, viram homens correndo para o mato.
Neste sábado (6), os funcionários da fundação encontraram, na outra margem do Rio Envira, um acampamento aparentemente usado pelo bando peruano, onde encontraram cartuchos tirados da base da Funai e flechas que pertenceriam aos índios isolados, o que é um indício de os homens armados entraram em contato com os índios ou estiveram em algum lugar onde estes habitam.
“Ou esses caras mataram os isolados ou passaram num lugar onde eles estavam. Sabemos que esses índios se defendem atacando”, diz Vaz.

Dennis Barbosa para o Globo Natureza; notícia em: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/08/

 

 

 

National Geographic/NEWS/Londres: 08/08/11

Preocupação com tribos não-contatadas em invasão de bando armado na Floresta Brasileira

Cinco servidores brasileiros para direitos indígenas estão enfrentando, em um posto avançado na selva remota, uma tentativa desesperada de proteger grupos indígenas não contatados ameaçados por traficantes de drogas fortemente armados, que se deslocaram do interior do Peru há cerca de duas semanas, conforme informes locais. Os servidores temem que os traficantes possam ter desencadeado uma caçada humana para abater e exterminar as populações indígenas altamente vulneráveis intentando desembaraçar florestas para suas operações de cultivo de coca.
O drama começou no mês passado, quando índios Ashaninka, há  três horas rio acima da base, alertaram por radio transceptor que um bando fortemente armado de intrusos haviam atravessado a fronteira do Peru para o Brasil. Quase duas semanas depois, 40 homens armados surgiram na densa mata em torno do posto de vigilância, que fica às margens do Rio Xinane, cerca de 20 milhas (32 quilômetros) adentrando as fronteiras do Brasil, no oeste do estado amazônico do Acre.
O posto é operado pela "Frente de Proteção Etnoambiental Envira," e gerenciada pelo Departamento de Índios Isolados, uma unidade especial dentro de agência do Brasil para assuntos indígenas, conhecida como FUNAI. O posto avançado se destina a conter o fluxo de intrusos nas  cabeceiras do rio Envira, um habitat de floresta tropical intacta onde várias comunidades indígenas isoladas se refugiaram, evitando contato com o mundo externo.

Isolados Acre/G.Miranda/FUNAIÍndios isolados nas cabeceiras do rio Envira, na fronteira Brasil-Peru, durante um sobrevôo em 2008, apresentam seus arcos e flechas-foto G.Miranda/FUNAI

Embora o posto de controle tenha efetivamente bloqueado intrusos que se deslocam rio acima a partir do Brasil, é limitadamente aparelhado para se defender contra infiltrações a partir do lado peruano da fronteira, especialmente na escala da atual intrusão .
Sem efetivo e desarmados, o pessoal da FUNAI ausentou-se do posto avançado, invadido pela gangue em 23 de julho. Levou uma semana para a Polícia Federal brasileira e tropas do Exército responderem à incursão, pousando de helicóptero para recuperar o controle da base Xinane. Mas os agentes policiais retiraram-se, após uma varredura nas proximidades da floresta em cujo entorno surgiu um único suspeito. Insatisfeita com a incapacidade de permanência na área pela polícia e militares, a equipe FUNAI reocupou  o posto nesta sexta-feira passada, 05 de agosto, temendo um massacre dos índios que têm o dever de proteger.


"Esta situação pode ser o um dos mais graves golpes que temos visto sobre os esforços para proteção dos índios isolados na última década ", escreveu Carlos Travassos, chefe do Departamento de Índios Isolados, em um e-mail da base Xinane aos seus parceiros. Travassos é um dos cinco funcionários que retornaram à base na sexta-feira, apesar das advertências da Polícia Federal de que não era seguro fazê-lo. A equipe descobriu sinais claros de que os traficantes permanecem na mata do entorno da base – pegadas recentes, mato pisoteado e um acampamento, onde encontraram uma mochila contendo cartuchos de espingarda saqueados da base da Funai, e o mais preocupante: uma flecha quebrada, provavelmente  apreendido de uma das tribos isoladas da região. Travassos afirmou que o interrogatório do suspeito  convenceu-o de que algum tipo de atrocidade fora cometida nas florestas próximas. "Fiquei com a forte impressão de que esses caras tinham matado os índios, pelo menos um punhado deles", escreveu Travassos.


Os agentes da Funai são acompanhados pelo veterano ativista dos direitos indígenas e sertanista José Carlos Meirelles, que supervisionou a Frente Envira pela FUNAI por 23 anos. Agora aposentado da FUNAI e trabalhando para o governo do Estado do Acre, Meirelles escreve: "O fato é que nós vamos permanecer aqui até que alguém (no Governo) considere que uma invasão do território brasileiro por um grupo de paramilitares peruano é algo que mereça atenção . "
No sábado, Travassos informou que os índios Ashaninka  de rio acima chegaram ao posto avançado para reforçar o arsenal FUNAI com rifles, muito necessários,  para repelir um possível ataque.
O posto Xinane fica na mesma região em que Meirelles por duas vezes possibilitou tomadas jornalísticas  por sobrevôo em aeronaves para filmar e fotografar um aldeamento de índios isolados no meio da floresta. Imagens de índios nus com pintura corporal vermelha eletrizaram a muitos no planeta quando transmitidas pela BBC no início deste ano. No relatório da BBC, Meirelles chamou os índios na clareira abaixo como "os últimos povos  livres na Terra."


Artigos relacionados: “Tribos Isoladas: os últimos povos livres na Terra”

Scott Wallace escreve sobre meio ambiente e assuntos indígenas para a National Geographic e outros publicações. É  autor do  próximo lançamento  "Os Não Conquistados: Em Busca das Últimas Tribos Isoladas  da Amazônia" (Crown, Outubro 2011). Para mais informações, visite  www.scottwallace.com

Scott Wallace; notícia (em inglês) em: http://newswatch.nationalgeographic.com/2011/08/08/concern-for-uncontacted-tribes-as-armed-gang-invades-brazilian-forest/

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL: 08/08/11

Narcotraficantes invadem posto de vigilância para índios isolados (AC)

Equipe FUNAi e PF no Envira-MªCoelhoO sertanista José Carlos Meirelles e policiais brasileiros no posto remoto de Vigilância da FUNAI no rio Envira, assaltado por traficantes de drogas. © Maria Emília Coelho

O  posto de vigilância brasileiro que protege índios não contatados cujas imagens aéreas foram divulgadas  no começo deste ano sofreu um ataque por homens fortemente armados, que o  saquearam e destruíram equipamentos vitais. Suspeita-se serem traficantes de drogas.

Download do mapa (PDF) da  localização do posto da FUNAI (Base Xinane-triângulo vermelho/Mapa CGIIRC/FUNAI).


Cresceu o temor pelo bem estar dos índios, após os servidores da FUNAI ( Departamento de Assuntos Indígenas do Governo Brasileiro) descobrirem uma flecha quebrada dentro da mochila abandonada de um dos traficantes. Uma rápida pesquisa dos funcionários do Governo mostrou que não restou sinais dos índios isolados que foram manchete por todo o mundo em Fevereiro.
Informes reportam que a polícia teria encontrado um pacote com 20 quilos de cocaína nas proximidades. Teme-se que o rio Envira, onde se localiza o posto de vigilância, tenha se tornado a porta de entrada no Brasil para os traficantes de cocaína do Peru.
Segundo informações locais, a polícia deteve um homem de  nacionalidade portuguesa , que foi preso por tráfico de drogas em Março, e  posteriormente deportado.

José Carlos Meirelles, o Chefe de Posto anterior, retornou de helicóptero ao posto com mais alguns homens, e informou que há vários grupos de homens armados com metralhadoras e rifles na floresta que rodeia a base.
Carlos Travassos, chefe do departamento governamental para Índios Isolados  declarou hoje: “Flechas são como cartões de identificação dos índios não contatados. Supomos que os peruanos fizeram os índios fugir. Agora temos provas concretas. Estamos mais preocupados que nunca. Esta situação pode  ser um dos maiores golpes sofridos pela proteção aos índios isolados nas últimas décadas . É uma catástrofe”.
Em  mensagem a Survival International, Meirelles declarou: “Nós permaneceremos aqui, aconteça o que acontecer, até que o Estado Brasileiro decida resolver esta situação de una vez por todas. Não  para nossa proteção, mas pela proteção dos índios”. Meirelles disse à Survival que uma equipe policial embarcará hoje em perseguição aos  traficantes remanescentes.
O diretor da Survival International, Stephen Corry,declarou hoje: “Esta é uma notícia extremamente alarmante. Não há como saber quantos povos indígenas foram exterminados pelo tráfico de drogas no  passado, mas todas as medidas possíveis devem ser tomadas para evitar que isso aconteça novamente. A atenção mundial tem que se direcionar a estes índios não contatados, como ocorreu  no início deste ano, quando foram pela primeira vez captados em filmagem”.

Notícia (em inglês) em : http://www.survivalinternational.org/news/7571

Notícia (em espanhol) em : http://www.survival.es/noticias/7574

 

 

 

COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO-CPI/ACRE: 07/08/11

Manifesto sobre a situação na base de Frente de Proteção Etnoambiental no Xinane (CPI-AC)

A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC) afirma seu apoio à equipe que integra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira (FPERE), no rio Xinane, nas proximidades do Paralelo 10º, a 32 Km da fronteira peruana, em sua decisão de permanecer na base da frente, a despeito dos riscos e ameaças diante da invasão de paramilitares até que as autoridades competentes assumam a responsabilidade de proteção dos índios isolados e dos demais povos que vivem na região.
O sertanista José Carlos Meirelles, os mateiros Marreta (Francisco Alves da Silva Castro) e Chicão (Francisco de Assis Martins de Oliveira), Artur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira (FPERE/FUNAI), e Carlos Travassos, da Coordenação Geral dos Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC/FUNAI), integram esta equipe que decide afirmar seu compromisso em defesa destas populações.


Desde o início da década de 2000, a CPI/AC chama atenção para a relação dos índios isolados com as dinâmicas de fronteira e suas influências em terras indígenas demarcadas no limite entre Brasil e Peru, abrangendo o estado do Acre e o departamento de Ucayali. A ameaça do tráfico de drogas, atrelado à exploração ilegal de madeira e facilitado com as grandes obras de infra-estrutura sempre foi uma preocupação no tocante aos povos que transitam por entre as fronteiras nacionais. Estes desafios que causam o deslocamento dos povos isolados para áreas onde possam ter acesso principalmente à comida e segurança acabam por aproximá-los mais das aldeias de outros parentes. Com a emergência de novos desafios na fronteira, as relações territoriais nas imediações e nas próprias terras indígenas levam a mudanças nos padrões de deslocamento dos isolados. Estes padrões mudam dadas estas pressões. Contudo, os indígenas de terras já demarcadas e reconhecidas não sabem ou entendem muito claramente o que causa o deslocamento e as pressões, o que leva a uma condição de incerteza com relação à autonomia territorial que pode despertar possibilidade de conflito.


No início de julho de 2011, a CPI/AC esteve presente em coletiva na FUNAI sobre a temática dos isolados, dada a divulgação na imprensa sobre eles estarem na iminência de conflito com outros grupos indígenas por causa de seu deslocamento. Nesta ocasião, chamou-se a atenção para o fato de que o problema dos isolados na região de fronteira, tal qual é a situação do Envira, não poderia ser descolada das questões de segurança e soberania nacional. Ficou claro, neste momento, que a temática indígena, de seus territórios e, em última instância, de seus direitos à vida digna enquanto seres humanos é também relativa à soberania e merece igual atenção. Além disso, desde o início da história do Acre e de outros territórios de fronteira no Brasil, os índios sempre foram fator predominante para se dizer que o território era brasileiro, e que a terra merecia ser protegida.


Dessa forma, é preciso que no momento em que sua vida e seus modos de vida estejam sendo ameaçados, bem como daqueles que os defendem, os órgãos responsáveis constitucionalmente pela defesa deste território estejam a postos para protegê-los e, bem como os servidores dos órgãos responsáveis, constitucionalmente por defendê-los. Neste sentido, trabalhar para que a cultura, territorialidade e identidade indígena sejam preservadas, é fundamental para que os direitos indígenas, incluindo aquele de determinar sua própria vida, não sejam esvaziados em situações como as dos isolados, esquecidos nas fronteiras brasileiras.


Sendo assim, a demora e a falta de apoio que os membros da FPERE/FUNAI e da CGIIRC/FUNAI estão tendo para cuidar da invasão e do saque ocorrido no Xinane é, no mínimo, falta de respeito e cuidado com estas populações. Isto os deixa na iminência de práticas genocidas já ocorridas na região acreana e nas fronteiras. Nesta época, a sabedoria indígena já era importante ferramenta para definir as fronteiras políticas e expandir as fronteiras econômicas, ainda que os índios continuassem esquecidos, não compondo o projeto desenvolvimentista oficial, que é muito mais antigo do que os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento.  Contemporaneamente, fora da agenda de expansão e cooperação comercial do país, os índios isolados continuam fora da pauta, à margem dos direitos humanos e da humanidade, não dado o seu isolamento, mas ao desrespeito com suas condições de vida.


A despeito de ser signatário da Declaração das Nações Unidas Para os Povos Indígenas e da Convenção 169 da OIT, que coloca o direito a se determinar de maneira sustentável dentro dos costumes comunitários como essencial, o Brasil não dá o devido cuidado à temática indígena, quando esta se confronta com desenvolvimento e com as políticas de fronteira. Com relação às últimas, indígenas não são reconhecidos como atores relevantes para a formulação e execução de ações. Dessa forma, quando vemos os membros da frente desamparados no posto de controle ao tentar defender estes direitos e o protagonismo indígena em tais situações, indignamo-nos. Por acreditar que isto é essencial para a segurança e sobrevivência dos índios isolados, assim como para a autonomia na gestão e segurança dos territórios daquelas comunidades já reconhecidas constitucionalmente habitando áreas fronteiriças, a CPI/AC busca fortalecer a inclusão deste problema nas agendas de política pública. A integração e a conversação entre as comunidades e poder público é a única via para a resolução desta situação. Acreditamos ser esta a verdadeira integração. Se os governos peruano e brasileiro estão empenhados em investir na integração de suas estruturas, então a segurança das fronteiras e das populações nela presentes é marco fundamental da mesma cooperação.
A CPI/AC manifesta, assim, apoio à decisão do grupo que decidiu ficar na base e defender os índios isolados sob ameaça de genocídio pela ação de supostos paramilitares peruanos. Todavia, pensa-se que esta via de diálogo e ação, em consonância com as comunidades de forma imediata, vinda por parte das Forças Armadas, Ministério da Defesa e Ministério da Justiça é necessária e urgente. É preciso que os governos estadual e federal, bem como o governo peruano, reconheçam que os índios foram, são e sempre serão parte relevante da política e das dinâmicas nacionais, especialmente na fronteira. Agora, com sua segurança ameaçada, esperamos que a defesa da soberania nacional não se sobreponha e se desconecte mais uma vez dos direitos e da política indigenista e da política dos índios.  É preciso tratar do assunto de forma integrada e entender que, neste caso, a segurança nacional estará ligada a defesa da vida, não apenas da nação, mas daqueles que vivem, sobrevivem e fazem a região do Envira ser o Brasil que é.


Por isso, urgimos ao poder público responsável que apóie e aja segundo suas prerrogativas constitucionais e internacionais. Ademais, pedimos que a sociedade política, que é muito mais que o governo, mobilize-se sobre o assunto em parceria com as organizações que já trabalham com o assunto a fim de que possamos exigir decisões acertadas sobre o assunto.


Rio Branco, 07 de agosto de 2011.

Comissão Pró-Índio do Acre

 

 

 

Folha de S.Paulo: 07/08/2011

Traficantes cercam funcionários da Funai no Acre

Um grupo de cinco funcionários da Funai que atua em um posto na selva amazônica se diz "cercado" por traficantes armados em território brasileiro, próximo à fronteira com o Peru. Eles temem que haja um ataque dos traficantes a aldeias de índios isolados.
A base da Funai fica às margens do rio Xinane, a cerca de 23 km da fronteira peruana e 231 km da cidade brasileira mais próxima, no Acre.
Parte desses índios, cuja etnia ainda não foi completamente identificada, tem sido filmada e fotografada desde 2008, o que atraiu a atenção internacional. A base do Acre é uma das seis em atividade no país dedicadas à proteção de índios isolados.
A equipe da Funai no posto é formada por alguns dos mais experientes servidores do órgão, como o coordenador-geral de Índios Isolados da direção da Funai em Brasília, Carlos Lisboa Travassos, e o sertanista José Carlos Meirelles, que há mais de duas décadas atua na região.
Por e-mail à Folha, Travassos descreveu a situação. "Estamos totalmente cercados. Temos fortes indícios de que eles estão divididos em três flancos. Não temos por onde correr. E não faremos, até que se tomem providências."
Travassos disse ter certeza de que os invasores são provenientes do Peru e estão armados.
A primeira vez que os servidores da Funai viram o grupo de supostos traficantes foi no último dia 23. Os servidores então deixaram a base e pediram apoio da Polícia Federal, que enviou equipe de Cruzeiro do Sul (AC). Quando regressaram, descobriram que o posto havia sido saqueado pelos invasores.

Rubens Valente; notícia em: http://www1.folha.uol.com.br/poder

 

 

 

Blog da Amazônia -Terra Magazine: 07/08/11

No Acre, Funai suspeita de matança de índios isolados por paramilitares peruanos

Isolados AC/G.Miranda/FUNAIEtnia isolada no AC, fotografada em 2008 em sobrevôo de levantamento foto Gleilson Miranda/Gov.Acre/FUNAI

Paramilitares peruanos que invadiram o território brasileiro, armados com fuzis e metralhadoras, na fronteira com o Acre, realizaram “correrias”, isto é, fizeram matança organizada de índios isolados, de acordo com o chefe da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Travassos, que se encontra na base da Frente de Proteção Etnoambiental, no igarapé Xinane.
Cercado com outros quatro funcionários da Funai, Travassos usou a internet para enviar mensagem em que conta que a equipe localizou um novo acampamento usado pelos paramilitares peruanos. O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental, Artur Meirelles, e os mateiros Chicão e Marreta, encontram uma mala com cascas de cartuchos roubados da base da Funai.
- Pegaram a mala e trouxeram para cá. Dentro da mala estava um pedaço de flecha dos isolados. Esses caras fizeram correria de índios isolados, como estava suspeitando, temos agora uma prova cabal - relatou Carlos Travassos.


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Travassos disse que é necessário interrogar o mais rápido possível o português Joaquim Antonio Custodio Fadista, que foi preso na sexta-feira (5) pela Polícia Federal na base da Funai e levado para Rio Branco, a capital do Acre.
Fadista já havia sido detido em março pela equipe da Frente de Proteção Etnoambiental por tráfico internacional de droga. Foi entregue à Polícia Federal e extraditado, mas voltou para a região com mais homens.
- Estamos agora mais do que nunca preocupados com a situação dos isolados. Esta situação pode ser um dos maiores golpes já visto nos trabalhos de proteção dos índios isolados das últimas décadas. Uma catástrofe da nossa sociedade. Genocídio. Estamos indignados - afirma.
Segundo Travassos, no final da tarde de sábado um grupo da etnia ashnaninka chegou na base da Funai. Eles ouviram a equipe da Funai no rádio e subiram para levar outras armas da Frente de Proteção Etnoambiental, além de um motor de barco que estava na Aldeia Simpatia.
- Também viram rastros frescos mais embaixo do rio, de três pessoas. Amanhã [domingo] eles voltarão para a aldeia. Pelo menos temos mais armas por aqui agora. Precisaremos fazer novo sobrevoo para constatar a integridade dos isolados ou pelo menos das malocas deles. Essa noticia veio para nos arrebentar.

Notícia de Altino Machado, no Blog da Amazônia: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2011/08/07

 

 

UOL Notícias: 06/08/2011

Funcionários da FUNAI retornam a base no Acre invadida por traficantes peruanos e reclamam da falta de segurança

Base Xinane-AC/FUNAIVista aérea da Base de Vigilância da FUNAI no Xinane(AC), para monitoramento e proteção aos índios isolados da região (G.Miranda/Frente de Proteção Etnoambiental Envira-CGIIRC/FUNAI)

Quatro funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) e um sertanista que trabalha com eles retornaram nesta sexta-feira (5 de agosto) à base invadida por traficantes peruanos durante o mês de julho. Os funcionários se queixam que a Polícia Federal não permaneceu na base para garantir a proteção da fronteira e dizem que pretendem ficar por lá devido “ao compromisso que têm com os índios”. A PF, por sua vez, diz que está analisando a situação e que provavelmente fará um sobrevoo na área esta manhã.
A invasão à base da Funai aconteceu no dia 23 de julho. Segundo relatório da Funai a que o UOL Notícias teve acesso, eram cerca de 40 pessoas vindas do Peru. A Fundação, alertada por índios Ashaninka, que vivem em uma aldeia a três horas de barco da base pediu ajuda ao Ministério da Justiça, à PF (Polícia Federal) e ao Exército. A base, que fica em 32 quilômetros da fronteira do Peru e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC) foi saqueada após evacuação dos funcionários da Funai.
Uma semana depois, no dia 30 de julho, teve início uma operação do Comando de Operações Táticas  (COT) e da CAOP (Coordenadoria de Aviação Operacional) da Polícia Federal na área, com o apoio logístico do Estado do Acre e do Exército. A ação resultou na prisão de uma pessoa, o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista.
O português foi detido na última quarta-feira (3 de agosto). Ele atua no Peru e já havia sido preso na mesma base da Funai em março deste ano e encaminhado à PF. Após ser interrogado, foi extraditado para o Peru. No entanto, retornou à região em julho. “Quando o português foi preso nesta semana ele debochou da cara de todo mundo, dizendo que logo iria sair e que ainda pagaríamos a passagem dele de volta”, disse Artur Meirelles, atual Coordenador da Frente de Proteção Envira.
A dificuldade para chegar ao local dificultou a ação das autoridades. “Por ser muito distante, a PF não pôde agir prontamente e necessitou do helicóptero do Exército”, afirmou Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados e Recente Contato (CGIIRC) da Funai.
A Base de Vigilância Xinane faz parte da Frente de Proteção Etnoambiental Envira. A equipe que trabalha no local é responsável por garantir a proteção territorial dos grupos de índios isolados que vivem nesta região do Acre, que faz fronteira com o Peru.


No local
Na quinta-feira (4 de agosto), a PF orientou a retirada de todas as pessoas da base. Apesar disso, o sertanista José Carlos Meirelles, ex-Funai e que trabalha no projeto há 23 anos, e mais quatro pessoas da equipe da Funai decidiram permanecer no local.
“Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, tomamos a decisão de vir para cá”, disse Meirelles ao UOL Notícias, por e-mail. Meirelles afirma que os invasores ainda estão na região, pois foram encontrados rastros na mata. “Achamos vestígios de, no mínimo, seis pessoas. Tem saco de dormir, plástico, corda. Os peruanos ficaram aqui no bananal em frente à base no último dia da operação, apenas olhando a equipe da polícia ser retirada.”
"Ficaremos aqui até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção. Somos irresponsáveis, talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios”, completou.
"Está tudo bem porque o pior não aconteceu, mas os caras estão nos espiando, vimos os rastros deles aqui no entorno da base agora, pela manhã estiveram aqui", disse, neste sábado, Carlos Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados da Funai. "Está tudo bem até o pior acontecer. Os peruanos não vão embora, isso é certo. Estamos cercados, não teve troca de tiros, ainda."


Polícia federal
José Carlos Calazans, superintendente da Polícia Federal no Acre, disse na manhã deste sábado ao UOL Notícias que está em contato com os funcionários da Funai na base. Ele diz que, nesta manhã, foi informado de que estava "tudo sob controle".

Maria Emília Coelho, de Tarauacá/AC para o UOL; notícia em http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/06

 

 

 

Blog da Amazônia -Terra Magazine: 06/08/11

Grupo paramilitar peruano cerca equipe da Funai em território brasileiro

Equipe FUNAI no Xinane/Maria Emília CoelhoEquipe Funai: Carlos Travassos, Artur Meirelles, Marreta, José Meirelles e Chicão

Funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) permanecem cercados por um grupo paramilitar peruano que invadiu o território brasileiro, na fronteira do Acre com o Peru. Os peruanos estão armados com fuzis e metralhadoras.
Os quatro funcionários e o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles, que trabalha para eles, foram levados em helicóptero durante operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (5).


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A equipe decidiu permanecer na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, mantida pela Funai no igarapé Xinane, na tentativa de proteger os índios isolados da região.
Com base nos vestígios encontrados na floresta, a equipe da Funai estima a presença de pelo menos cinco homens em mais de um grupo paramilitar.
Os peruanos rondam a base e deixam os funcionários em situação de extrema vulnerabilidade em caso de conflito armado. A situação não depende mais da ação da Funai, pois se configura uma questão de segurança nacional.
- Estamos ainda com os peruanos próximos nos espreitando. Avistamos rastros de seis pessoas hoje cedo, atrás da base. Estamos apenas com uma espingarda velha e dois rifles calibre 22. Mas se tem o pessoal da PF aqui, a gente tinha pego os invasores hoje - relatou o chefe da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai, Carlos Travassos.
A equipe da Funai na Frente de Proteção Etnoambiental dispões de telefone e computador conectado à internet.
- O tempo nosso em frente ao computador está curto. Não é fácil ficar com um olho no monitor e outro nos peruanos. Eles estão ainda aqui. São mais de um grupo, de cinco ou seis pessoas. Estão nos monitorando e nós a eles. A galera que está aqui é toda mansa na mata. Mas a chapa está quente. Mande bala aí, como puder. Temos internet e telefone por aqui - relatou o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles ao Blog da Amazônia.
A documentarista Maria Emília Coelho, que sobrevoou a região durante operação da  Polícia Federal na sexta, disse que os funcionários da Funai se queixam que a PF não permaneceu na base para garantir a proteção da fronteira.


Apelo
O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles divulgou nesta tarde uma mensagem sobre a situação na área:


“A todos,
Vocês já sabem das notícias. Vão as últimas.
Desculpem por mandar pra todo mundo, mas o tempo pra ficar no notebook aqui tá curto. Um olho na tela e outro nos peruanos não dá.
Seguinte:
1 - Pela quantidade de vestígios aqui ao redor, temos certeza que os caras se dividiram em grupos de 5 ou 6 e estão fazendo uma verdadeira varredura aqui ao redor da base.
2 - Os isolados não andaram aqui não. As coisas que desapareceram daqui indicam que não foram eles.
3 - Cremos também que junto desses peruanos existam índios sim, contatados de lá.
4 - A gente conhece apito de índio remedando bicho. Parece que tem uma reunião de nambú azul aqui por perto.
5 - Se esses caras estão procurando alguma coisa, ainda não acharam.
6 - Todo mundo que está aqui ( nós cinco gatos pingados) é manso na mata, como eles.
7 - O nome de nosso dois mateiros: Francisco Alves da Silva Castro o  Marreta. Francisco de Assis Martins de Oliveira - O Chicão.
8 - O dia que a Funai descobrir que um homem como eles, valem por 20 indigenistas e 20 sertanistas, talvez resolva contratá-los, sem concurso público, pois são analfabetos, mas os maiores doutores da mata que conheço, talvez a segurança dos índios isolados possa ser melhor conduzida.
Permaneceremos aqui, dê o que dê, até que o Estado Brasileiro decida RESOLVER DE VEZ esse absurdo!!!! Não pra proteção nossa.
PARA PROTEÇÃO DOS ÍNDIOS!!!!!!
Quem não tiver atualizado, por favor procure sites e tal que já tá no mundo.
Quem puder reclamar, pressionar etc., será bem vindo. Os isolado agradecem.
Um grande abraço a todos da nossa equipe de ” irresponsáveis”, como estamos sendo chamados.
Pensem bem: Quem é o irresponsável mesmo.


Meirelles”

Notícia de Altino Machado em http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2011/08/06/

 

 

Blog da Amazônia -Terra: 05/08/11

Grupo paramilitar peruano invade território no Acre

Marco Zero Brasil-Peru-FPEE-FUNAISertanista José Carlos do Reis Meirelles e dois mateiros da equipe da FPE Envira no marco zero da fronteira Brasil-Peru (FPEE-FUNAI)

Ao assumir o cargo de ministro da Defesa, Celso Amorim terá que lidar com um problema recorrente no extremo-oeste do país: um grupo paramilitar peruano invadiu o território brasileiro, na fronteira do Acre com o Peru, na área dos índios isolados, onde a  Funai (Fundação Nacional do Índio) mantém a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira.
A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (5) a operação com uso de helicóptero no igarapé Xinane, onde a Funai mantém uma base, mas conseguiu prender apenas o português Joaquim Antonio Custodio Fadista, de 57 anos.
Fontes da Superintendência da Polícia Federal no Acre confirmaram a operação, mas assinalaram que não podem se manifestar a respeito dela.
- O assunto é sensível porque envolve a segurança nacional e a relação dos dois países. Aguardamos autorização de Brasília para divulgar relato e imagens da operação - disse uma das fontes da PF.


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O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles contou que a operação foi muito rápida e todos que dela participaram já se deixaram a fronteira.
- Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, tomamos a decisão, Carlos Travassos, coordenador dos isolados, Artur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental, eu, e dois mateiros nossos, Marreta e Chicão, de vir pra cá.  Fomos deixados pelo helicóptero da operação - relatou o sertanista.
Em março, o português Joaquim Fadista foi detido pelo pessoal da Frente de Proteção Etnoambiental por tráfico internacional de droga. Entregue à PF, foi extraditado, mas voltou para a região.
Fadista já era procurado pela Polícia Nacional Peruana por tráfico de drogas quando foi preso pela primeira vez. Na ocasião, ao ser abordado, jogou no leito do Rio Envira uma mochila contendo supostamente 20 quilos de cocaína.
Mensagem do sertanista
Direto da base da Funai, José Carlos dos Reis Meirelles enviou uma mensagem sobre a operação da Polícia Federal. Segundo o sertanista, o traficante português voltou com um grupo de pessoas cuja quantidade é desconhecida.
Eis o relato do sertanista:
“A todos companheiros de luta e família,
Como o tempo é curto e é muita gente, me desculpem misturar familiares e trabalho.
Como todos sabem a nossa base do Xinane foi invadida por um grupo paramilitar peruano, onde foi preso por uma operação da polícia federal, um único integrante. O famoso Joaquim Fadista, que já tinha sido pego aqui por nosso pessoal, foi extraditado e voltou. Com um grupo de pessoas cuja quantidade não sabemos.
A operação foi muito rápida e hoje todo mundo foi embora. Nossa base ficou só de novo.
Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, tomamos a decisão, Carlos Travassos, coordenador dos isolados, Artur coordenador da frente, Eu, e dois mateiros nossos, Marreta e Chicão, de vir prá cá.
Fomos deixados pelo helicóptero da operação.
Os caras ainda estão por aqui. Correram quando o helicóptero chegou. Rasto fresco e cortado de hoje. Se o povo da PF ou exercito estivesse aqui a gente pegava todo mundo.
Mas parece que as coisas não são bem assim. Talvez se esse grupo tivesse invadido algum canteiro de obra o PAC, metade do exército já estaria lá.

Mas como é uma basezinha da Funai, área de índios isolados….
O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano, é algo que mereça atenção.
Somos irresponsáveis. Talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados nossos vizinhos Ashaninka.
Não temos resposta pra tudo isso. Mas estamos bem perto das perguntas.
Permaneceremos aqui. E nem venham nos buscar para abandonar a base de novo e nem venham aqui passar dois dias.
Se vierem venham pra resolver o problema.
Caso contrário, a gente mesmo vê o que faz.
Um abraço a todos”

Notícia de Altino Machado(AC) no Blog da Amazônia: http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2011/08/05

 

 

ISA - Manchetes Socioambientais: 05/08/11

Floresta faz a diferença!

O Comitê Paulista em Defesa das Florestas, que reúne 97 organizações como CNBB, OAB, SOS Florestas e CUT entre outras, lançou hoje (5/8) a campanha nacional de mobilização #Florestafazadiferença, um abaixo-assinado contra o projeto do Código Florestal, que deverá entrar na pauta do Senado ainda neste ano. Leia na página eletrônica o documento integral, participe e assine!

http://www.florestafazadiferenca.org.br/assine/

 

 

UOL Notícias: 04/08/2011

Tombamento do Encontro das Águas no AM é anulado

Manaus - A Justiça Federal no Amazonas anulou hoje o tombamento do Encontro das Águas, realizado em novembro do ano passado pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A anulação do tombamento atende a pedido do governo do Amazonas, que alegou não ter sido "notificado devidamente acerca das fases do procedimento de tombamento", segundo a decisão tomada pelo juiz Dimis da Costa Braga, titular da 7ª Vara da Seção Judiciária do Amazonas.
Segundo o texto do juiz, está anulado o tombamento "até que sejam realizadas as audiências públicas, pelo menos uma em cada município diretamente afetado (...) bem como viabilizadas consultas públicas". O juiz, contudo, comete um equívoco em seu texto, dizendo ser em "caráter provisório" pelo Iphan, mas o tombamento é definitivo.
A reportagem procurou a assessoria do Iphan, em Brasília, e o superintendente em Manaus, Juliano Valente, mas não obteve retorno. Em maio, a procuradora do governo Estadual, Sandra Couto, solicitou a impugnação do tombamento, em audiência realizada durante a reunião do Conselho Consultivo do Iphan, em Brasília. A procuradora alegou que o governo do Amazonas não participou das discussões sobre o tombamento e teve pouco tempo para se manifestar. Como resposta, o Iphan informou que o tombamento era irreversível e não cabia mais recurso contra a decisão.

Notícia em http://noticias.uol.com.br/

Leia sobre o Encontro das Águas a crônica de José Ribamar Bessa Freire; "Vê bem, Maria!" no "Taquiprati": http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=929

 

 

 

Folha de Boa Vista-RR: 03/08/2011

Funai tenta apaziguar comunidades Yanomami que entraram em conflito

Yanomami/F.Watson/SURVIVALYanomami na fronteira Brasil-Venezuela: diferentes "graus de contato" e conflitos intertribais-foto F.Watson/SURVIVAL

Para por fim a um desentendimento entre indígenas das comunidades Xikawa e Cachoeira na reserva Yanomami, a Fundação Nacional do Índio (Funai) em Roraima e a Hutukara Associação Yanomami realizou na manhã de ontem uma reunião com as lideranças dos grupos indígenas. 
Na semana passada houve o início de um conflito entre as duas comunidades. Ninguém saiu ferido. Indígenas da Cachoeira iniciaram o ataque, mas a comunidade Xikawa recuou e fugiu para uma fazenda fora da terra indígena evitando o confronto. 
Segundo o coordenador da Frente de Proteção Yanomami da Funai, Michel Idris da Silva, o desentendimento foi ocasionado devido aos trabalhos que estão sendo desenvolvidos junto a comunidade Xikawa. Os indígenas da Cachoeira se mostraram revoltados por não estarem sendo atendidos da mesma forma e decidiram pelo conflito como forma de demonstrar a insatisfação.


“As lideranças foram chamadas porque estavam em conflito para uma reunião de pacificação. Logo que soubemos do ocorrido, a Funai foi para a reserva e já articulou uma solução junto às comunidades. Foram feitos acordos de convivência e compensações para resolver o conflito, mas faltava uma discussão para encerrar de vez o problema”, disse Idris.
A grande questão, de acordo com o servidor da Funai, é que os índios da Cachoeira estão deixando de desenvolver suas terras para trabalhar nas fazendas próximas à comunidade, no município de Caracaraí, em troca de comida. Este ciclo vicioso acaba acontecendo devido ao contato dos indígenas com os não-índios.


As comunidades da faixa chamada de fronteira leste, que são as que estão mais próximas das cidades, têm um trajeto histórico de fricção desde a época da construção de rodovias como a BR-174. “Os indígenas foram explorados e adquiriram vícios dos não-índios. A relação de dependência é muito maior agora. Quanto mais a nossa sociedade vai se aproximando deles, mais essa fricção é crítica”, explicou.
Por outro lado a comunidade Xikawa vive e produz em suas terras necessitando apenas de apoio nas atividades das representações indígenas. Foram feitos poços artesianos, instalado motor gerador e até uma casa de produção de farinha funciona na comunidade.
“A comunidade Cachoeira entrou em um ciclo vicioso porque enquanto está trabalhando para o fazendeiro em troca de comida e bebida os indígenas não estão fazendo a roça para se alimentar. Então eles nunca têm o que comer e viram dependentes do fazendeiro que acaba explorando ainda mais eles”, destacou Michel Idris.


Servidores da Funai irão para a comunidade para ajudar os indígenas a saírem do chamado ciclo vicioso. Cachoeira receberá ajuda na construção da roça para que dali possa tirar sua alimentação, dentre outras coisas necessárias para a sobrevivência da comunidade. 

Vanessa Lima; notícia em http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=113543

 

 

 

SURVIVAL INTERNATIONAL: 01/08/11

O mistério não resolvido dos escravos indígenas no “boom da borracha”

R.Casement/Cambridge MuseumMilhares de indígenas amazônicos foram escravizados e assassinados durante o ciclo da borracha. © W Hardenburg © Cambridge University MAA

Uma mulher indígena da Amazônia fez um apelo público para averiguar o que ocorreu com dois escravos indígenas que foram levados a Grã Bretanha há um século.
Exatamente 100 anos depois de o Daily News apresentar seus antepassados Omarino e Ricudo  ao público britânico, Fany Kuiru, uma indígena Witoto da Colômbia,  fez um apelo para que o mundo “nos ajude a revelar o que foi feito de nossos irmãos indígenas… para que os espíritos de nossos antepassados possam descansar em paz”. E acrescenta: “as sociedades são responsáveis quando não controlam seus governantes, são cúmplices de crimes de lesa humanidade quando não reclamam que se faça justiça e que se façam as reparações correspondentes. A humanidade seria outra se os povos controlassem seus governantes, governantes que quando estão no poder se crêem amos e  senhores do mundo e que podem dispor das vidas humanas, de seus governados”.
Os indígenas foram presenteados ao cônsul britânico Roger Casement em sua residência, na província de Putumayo, sul da Colômbia, em 1910. Omarino foi trocado por um par de calças e uma camisa;  Ricudo  foi ganho em uma partida de cartas.
Casement, enviado pelo Governo britânico para investigar as atrocidades cometidas na Amazônia durante o “boom” da borracha, levou a ambos ao Reino Unido para tornar público os horrores que havia descoberto.

Escravos da Peruvian Company/Hardenburg/SURVIVALIndígenas escravizados no início do século XX para a exploração da Peruvian Amazon Company. © W Hardenburg

A demanda de borracha amazônica cresceu espetacularmente quando a empresa americana Goodyear descobriu a vulcanização, um processo que endurece a goma vegetal suficientemente para ser usada como pneumáticos para veículos. Este grande passo conduziu  a Ford,  líder da indústria automobilística, a  primeira produção em massa de automóveis.
Casement estimou que em apenas doze anos cerca de 30.000 indígenas foram escravizados, torturados e assassinados para satisfazer a crescente demanda de borracha da Europa e Estados Unidos.
“Nos enviam para muito, muito  dentro da floresta para conseguir caucho, e se não o conseguimos, ou se não o  conseguimos suficientemente rápido, atiram em nós”, contou Omarino ao Daily News.
Muitos dos indígenas isolados da atualidade são descendentes dos sobreviventes das atrocidades da febre do caucho, que fugiram para as remotas cabeceiras dos rios para escapar dos assassinatos, torturas e epidemias que dizimaram a  população indígena.
Após receber fotografias de seus antepassados, Fany declarou à Survival: “Todas as nações fizeram algo para exterminar a população indígena: Colômbia os abandonou, Perú foi cérebro e cúmplice do holocausto, Inglaterra financiou e Brasil desaldeou índios para o trabalho de coleta”.
Não se sabe do que aconteceu aos indígenas escravizados, cujas últimas palavras ao Daily News foram: “Londres é maravilhosa, porém o grande rio e a floresta, onde voam os pássaros, são mais belos. Algum dia voltaremos”. Não se sabe se regressaram ao lar.
O diretor da Survival International, Stephen Corry,declarou : “O boom da borracha pode nos parecer uma história antiga, porem seus efeitos ainda são sentidos. Quando iniciou o matrimônio do Ocidente com os carros motorizados, suas cartas de amor foram escritas com sangue indígena. Provocou um crime brutal contra a humanidade, perpetrado por uma empresa britânica na região dos Witoto. Sem paralelismo exagerado, hoje em dia há empresas britânicas, como a Vedanta Resources, que planejam o roubo de terras indígenas, agora na Índia. Já é hora de por um ponto final a estes crimes e de começar a tratar aos povos tribais como seres humanos”.


Fotos em alta definição disponíveis em download na página da Survival:

Notícia (em espanhol) em http://www.survival.es/noticias/7542

 

Cicatrizes da Borracha/R.Casement/SURVIVALUm jovem indígena amazônico com seu corpo repleto de cicatrizes, fruto das barbaridades cometidas durante a “febre do caucho”.
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Crédito: © R Casement

Nota de Tradução: “Rubber Boom”, em inglês ou “La Fiebre del Caucho”, em espanhol, são termos que se referem ao apogeu do ciclo econômico baseado na produção de látex, no Brasil chamado “Boom da Borracha”- início do século XX. Embora tipos diversos de látex possam ser extraídos, tanto da seringueira (Hevea brasilienses) quanto do caucho (Castilloa elastica), entre outros espécimes, a exploração do caucho concentrou-se na Amazônia hispânica, sobretudo Peru e Colômbia, e a da seringa na Amazônia Brasileira. Em ambos os casos, etnias indígenas foram violentamente escravizadas e dizimadas, sendo que o processo de extração diferenciado (na seringueira, fixação dos coletores num reduto de extração; no caucho, locomoção permanente do coletor em busca de novas árvores, que são derrubadas/mortas para a coleta) provavelmente definiu a violência ilimitada do extermínio indígena nas áreas caucheiras da Amazônia Hispânica.  (R.Cartagenes)

 

 

AMAZOÉ: 01/07/11

Caros Leitores,
A equipe AMAZOÉ estará em trânsito em áreas remotas da Amazônia durante o mês de julho. Retomaremos a edição do boletim quinzenal  de notícias a partir de agosto; até breve!

 

 

 

 

Notícias publicadas no primeiro semestre de 2011, clique no ícone ao lado:notícias  2010

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