HISTÓRIA DO “CONTATO”:

As referências etnohistóricas levam a crer que os ZO'É se fixaram nesta região interfluvial utilizando-a como área de refúgio, onde se resguardaram das hostilidades de inimigos tribais
relatados pela tradição oral nas faixas oeste e leste, bem como dos não-índios, que eles chamam de "kirahí", associados
cosmologicamente à direção sul. Ao norte vivem atualmente diversos povos Karib residentes no Parque Indígena do Tumucumaque - Tiryó, Wayana, Kaxuyana, Aparai. Os Zo‘é relatam encontros casuais com elementos da população envolvente no passado, evasões, bem como conflitos ou aproximações com outros povos indígenas.

As referências etnohistóricas levam a crer que os ZO'É se fixaram nesta região interfluvial utilizando-a como área de refúgio, onde se resguardaram das hostilidades de inimigos tribais
relatados pela tradição oral nas faixas oeste e leste, bem como dos não-índios, que eles chamam de "kirahí", associados
cosmologicamente à direção sul. Ao norte vivem atualmente diversos povos Karib residentes no Parque Indígena do Tumucumaque - Tiryó, Wayana, Kaxuyana, Aparai. Os Zo‘é relatam encontros casuais com elementos da população envolvente no passado, evasões, bem como conflitos ou aproximações com outros povos indígenas.

A desativação do projeto da rodovia e a carência de recursos adiou a presença governamental na região, o que de certa forma facilitou a ação não-autorizada de uma missão fundamentalista e proselitista de raízes norte-americanas, a“Missão Novas Tribos do Brasil”-MNTB - que lançou-se à empreitada de contatar os então desconhecidos indios do Cuminapanema.A Missão NovasTribos conduziu o processo de contato durante os anos 80, realizando expedições localizadas e construindo uma base de operações na faixa sul do território indígena. Após atração “pacífica” de um grupo Zo’é em 1987, a missão empenhou-se em fixar os índios no entorno de sua base. Em 1989, a própria MNTB solicita auxílio urgente da FUNAI, dado o crítico estado de saúde da população indígena recém-contatada, lançada numa sucessão de epidemias infecto-contagiosas, sobretudo respiratórias, e pelo agravamento e difusão da malária, favorecida pela concentração populacional. O saldo deste período de contato não-controlado foi a morte de cerca de 25% da população original pré-contato, segundo o depoimento dos próprios Zo’é sobreviventes.

Em 1991, a missão foi formalmente retirada do território Zo’é pela FUNAI, que assume presença permanente entre os Zo’é. No ano de 2000, o “Posto Indígena de Contato Cuminapanema“ tornou-se, a partir de novos parâmetros da relação institucional entre Governo e povos indígenas não-contatados e de contato recente, em “Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema.”